Curitiba - As mulheres que precisam do auxílio da medicina para conseguir realizar o sonho de ter um filho, a palavra mãe, sem dúvida, tem outro significado. E, graças aos avanços da ciência, o esforço dessas guerreiras, na maioria das vezes, é recompensado por aquele choro estridente que para as mães soa, na verdade, como uma doce melodia.
A londrinense Angela Maria Andrews, de 37 anos, ouviu a barulhenta serenata por duas vezes. ''São meus dois milagrezinhos'', diz ela referindo-se aos filhos Patrick James Andrews Junior, de 3 anos, e Antony James Andrews, de apenas quatro meses. Ambos nasceram em Miami, nos Estados Unidos, onde Angela mora há 10 anos, mas a segunda gravidez teve intervenção de um médico brasileiro.
Angela conta que uma endometriose provocou a obstrução de suas trompas e, ainda em Londrina, foi aconselhada por um médico a buscar a fertilização in vitro. ''Na época, o procedimento era caro, mas o seguro da companhia onde eu trabalhava (nos EUA) cobriu praticamente 100% das despesas'', contou. O casal queria outro filho, mas por causa da idade, Angela teve que buscar outra técnica. A doação de óvulos de sua cunhada foi uma das tentativas que não deu certo. Três embriões doados foram, então, implantados em seu útero. Um deles, hoje se chama Antony e veio ao Brasil para que o médico que o ajudou a nascer, Álvaro Ceschin, da Clínicia de Reprodução Humana Felicitá, pudesse conhecê-lo.
O especialista em reprodução humana que lançou, recentemente, o livro ''Filhos! Invista nesse sonho'' revela que a procura por técnicas de fertilização vem aumentando. Ele atribui a maior demanda a mudanças culturais e, também, aos avanços da medicina. ''As mulheres estão postergando a gravidez para os 35, 40 anos e, nessa idade, a capacidade de fertilização diminui'', esclareceu.
Para Ceschin, uma das novidades em técnicas de fertilização e que pode se tornar uma esperança para as mulheres que precisam se submeter à quimio ou radioterapia é o transplante de tecido ovariano. A pesquisa, em parceria com o médico Carlos Gilberto Almodin, de Maringá, foi autorizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para ser realizada em humanos.
Ceschin explica que a quimio ou radioterapia provocam a falência dos ovários, causando infertilidade e menopausa precoce. A idéia da técnica é retirar um dos ovários e o congelar em fatias. Depois que a paciente conclui o tratamento, os tecidos são reimplantados no ovário que ficou como hospedeiro. A pesquisa ainda é experimental, mas Ceschin já se mostra otimista com os possíveis resultados. ''É uma técnica que pode revolucionar o futuro reprodutivo de muitas mulheres'', declarou.

Serviço
O livro ''Filhos! Invista nesse sonho'', 190 páginas, pode ser encontrado em livrarias evangélicas e nas Livrarias Saraiva. Preço: R$ 29,00.
Outras informações sobre técnicas de fertilização serão passadas na palestra ''Infertilidade: Mitos e Verdades'', com o especialista em reprodução humana do Hospital Vita Batel e diretor da Clínica Huntington, Francisco Furtado Filho. Será na terça-feira, dia 10, às 20 horas, no Hospital Vita Batel. A inscrição é gratuita. Informações e inscrições pelo telefone: (0xx41) 3026-2103, das 7h30 às 19h30.

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