Mães precisam perceber o processo de educação
Há mães que percebem falhas no meio do processo da educação. A empresária Glaucia Maciel, de 36 anos, foi educada para ser a ''típica yuppie''. Casada há mais de dez anos, ela fez um tratamento de fertilização e engravidou de Lucca, hoje com 4 anos e meio. Acabou pedindo demissão da empresa onde trabalhava para ficar ''por conta da barriga''.
Logo sua inquietação profissional falou mais alto e, depois de uma ampla pesquisa nos Estados Unidos e Europa, criou um espaço com atividades lúdicas, pedagógicas e artísticas para crianças de até 4 anos, a Steps Baby Lounge. ''Aprendi muito sobre a importância da estimulação nessa fase, pois 80% da formação neurológica se dá até os 4 anos.'' O problema é que ela acabou passando da medida com o próprio filho, transferindo para ele suas expectativas de profissional bem-sucedida.
Quando Lucca tinha apenas 1 ano e meio, fazia equitação, judô, natação, inglês, espanhol, teatro, música e arte, além da escola regular. ''Ele estava ficando nervoso e agressivo. Tive de passar por muita terapia para entender que eu teria de me encontrar nas minhas novas funções, e não através dele'', diz ela.
Consciente, ela cortou todas essas atividades e o colocou numa escolinha de meio período. ''Ele ficou mais calmo, concentrado, com o apetite e o sono melhores.'' Hoje, a rotina dos dois em casa é de muita brincadeira. ''Deixei para a escola a tarefa de passar conhecimentos e assumi a parte da diversão e formação de valores, sem cobranças. Ele aprendeu a ser 100% criança! Também virei mais criança e muito menos estressada.''
Já a executiva Patricia Cuiabano, de 41 anos, mudou totalmente o seu conceito de educação do primeiro filho para o segundo. Há uma diferença de onze anos entre João Pedro, de 13, e Antonio Pedro, de 2, filhos do mesmo casamento. ''Na época em que o João nasceu, estávamos construindo nossas carreiras'', diz Patricia. ''Quando você envelhece, tudo fica mais tranquilo.''
O mais velho, João Pedro, foi com 1 ano para uma escola americana bilíngue, em período integral. Ele continua lá até hoje, e gosta muito. Mas a mãe mudou de opinião: ''Na ansiedade de querermos que ele se desenvolvesse, forçamos a barra.''
Com Antonio, ela está fazendo tudo diferente, valorizando cada momento da infância. Só este ano ele entrou na escolinha, escolhida a dedo pela mãe: tem horta, bichos e promove o contato com a natureza, além de brincadeiras próprias para a idade dele. ''O Antonio adora brincar com carrinhos de madeira. Já o João, desde pequeno, gosta de brinquedos eletrônicos.'' São duas receitas de educação diferentes. ''É importante dar uma boa formação para a criança, mas hoje não acho que devemos exigir dela desde cedo.''(A.E.)





