A maternidade para a empresária e jornalista Mônica Santana veio na maturidade, aos 36 anos. Onze anos depois, ela desabafa que ainda sofre para dividir seu tempo entre a criação do seu único filho, Mateus, e a profissão. ‘‘Sou apaixonada pelo que faço. Mas depois que meu filho nasceu, ele passou a ser minha pioridade. Ele tem plena consciência que me esforço para participar da vida dele, das atividades que ele considera mais importantes. Somos cúmplices, amigos, confidentes, conversamos muito. Até hoje choro quando preciso me ausentar e fazer viagens, sabendo que ele gostaria de ficar comigo. É muito difícil.’’
  Quando Mateus, ainda era um bebê de cinco meses, veio o primeiro desafio. A mãe precisou deixá-lo numa creche que funcionava 24 horas. ‘‘As mães normais pegavam os filhos às 17h30, 18 horas. Eu pegava o Mateus às 20h30. Já precisei deixá-lo na creche até as 23 horas. Quando ele fez sete meses, percebi que ele reconhecia mais a Dona Elza, a senhora que cuidava dele, do que a própria mãe’’, lembra Mônica, que na época, estava montando sua empresa. ‘‘Sei que meu filho ficou responsável muito cedo e preocupado, como conseqüência do meu modo de ser, mas tento não me culpar por isso. Ele é esclarecido e verbaliza muito bem seus anseios. Acho o Mateus uma criança alegre e feliz’’, reflete a jornalista, que cria sozinha o menino.
  ‘‘A partir dos três anos, eu o acordava para tomar café-da-manhã comigo, para usufruirmos deste momento juntos. Depois, passei a levá-lo junto para alguns trabalhos. Ele ia a palestras, eventos, jogos de futebol, sempre que possível. relata. Foi acompanhando a mãe nos jogos do Atlético Paranaense, inclusive, que Mateus desenvolveu a paixão pelo futebol e pelo time. ‘‘Até os 7 anos eu não gostava de futebol. Depois dos jogos no estádio, comecei a me enturmar com quem jogava bola e hoje faço escolinha, todos os sábados. E é claro, torço pelo Atlético’’, explica o garoto, que gosta de compartilhar com a mãe todos os momentos importantes e prazerosos
da vida.
  ‘‘Ela sempre está comigo nos aniversários, campeonatos de xadrez e me apoiou mesmo quando eu não ganhava. Minha mãe participa das feiras do colégio, me ajuda nas lições com ortografia, gramática, literatura. Nos eventos que ela me leva, conheço um monte de coisas’’, pondera Mateus. ‘‘Por isso, guardamos dinheiro para viajarmos a Paris, cidade que quero conhecer desde pequeno, quando via nos filmes a Torre Eiffel. No Museu do Louvre quero ver as obras de Leonardo da Vinci’’, completa ele, que em breve terá uma agenda tão corrida quanto a da mãe, quando iniciar as aulas de xadrez, inglês, tênis e música.
  Neste ano, Mônica diz que decidiu mudar um pouco a rotina de trabalho para tomar café-da-manhã, deixar e pegar o filho na escola e almoçar com ele. ‘‘Coloquei isso como meta. É um momento para conversarmos sobre o dia, para ele tirar dúvidas sobre os exercícios da escola e desabafar comigo. Esse contato à mesa é algo que eu tinha com meus pais e irmãos e tem sido muito bom para nossa relação manter essa tradição familiar’’, avalia a empresária.
Jurema, 3 filhos
e muito trabalho
  Aos 15 anos, Jurema Christen teve o primeiro filho, Leonardo, hoje com 10 anos. Na época, a moça decidiu que se empenharia na maternidade, trabalhando e cuidando sozinha do filho. ‘‘Fui empregada doméstica, diarista. Não queria meu filho com a avó. Resolvi criar o Leo, ser uma mãe independente. Ele foi para creche com três meses onde ficou até os cinco anos. Quando nasceu meu segundo filho, eu tinha dois empregos, trabalhava como doméstica de dia e, à noite, como garçonete. Precisava porque pagava aluguel na época’’, lembra Jurema, contando que Gilsinho, de 6 anos, também foi ainda
bebê para creche.
  ‘‘Quando chegava de madrugada, ficava com o Gilsinho, que mamava. Nossa, foi muito difícil, eu mal dormia. Agora está mais fácil, porque temos casa própria e meu serviço é só durante o dia’’, compara Jurema, que trabalha num hospital, de segunda a sábado, como secretária. Hoje, Jurema está casada.
  A vida com o pequeno Vinícius, de 8 meses, ficou ainda mais esforçada, já que a mãe precisa se desbobrar para deixá-lo na creche, de manhã, no bairro Vila Oficinas, onde ela mora, e pegá-lo às 17 horas. Dez minutos depois, Jurema já está na porta da escola de Gilsinho, a oito quadras da creche.
  ‘‘Quando chego em casa vou preparar o jantar, dar atenção para o bebê, que ainda mama no peito, dou banho nos meninos e acompanho o Leo nos exercícios da escola. À noite é quando arrumo a casa e faço o almoço para o dia seguinte. Acho que o mais importante não é quantas horas fico com eles, mas a qualidade desse tempo que passamos juntos, com amor e carinho’’, defende. ‘‘No trabalho não esqueço deles e ligo para saber se almoçaram e não deixar se atrasarem para a escola. Mesmo com tanta coisa
para fazer, nunca
me descuidei. Aproveito quando meus filhos dormem para passar esmalte nas unhas e
me cuidar. Sou muito
vaidosa. Vida de mãe é assim mesmo, uma maratona’’.

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