Madeireira defende-se de queixas de violência
De acordo com avaliação de Miguel Zattar Filho, neto do patriarca fundador das Indústrias João José Zattar, e atual diretor-presidente do grupo, as queixas de violência e expropriação de terras na região em que atua devem ser avaliadas sob outro ângulo:''É óbvio que, se você pega pessoas de baixa escolaridade no campo, numa situação daquelas, surgem alguns dogmas, nos quais eles passam a acreditar. Eu não estou aqui para julgá-los, mas o fato é que são inverdades''.
Sobre casos específicos, como o da menina Janaína Santos Freitas, de 2 anos, morta em um incêndio, Miguel Zattar Filho é veemente. ''Isso é um absurdo, deste caso eu me lembro. O sujeito deixa a criança em casa sozinha, houve provavelmente um acidente, e como era um momento em que os ânimos estavam acirrados, todo tipo de problema era atribuído à empresa. Você acha possível que a gente vá fazer tudo isso?'', questiona.
De acordo com ele, foram iniciadas negociações de 18 mil hectares, entre a empresa, posseiros e Incra, no começo da década de 90, mas por falta de interesse do governo, não foi concretizada, o que gerou momentos de revolta e frustração entre os posseiros. ''Com isso, começou uma corrida de aventureiros para extrair clandestinamente madeiras nas áreas, e nesse momento implantamos vigilância com porte de armas e uso de helicópteros. Tudo com autorização do exército. Mas não tenho desse período registro de conflito armado ou de vítimas''.
O superintendente do Incra no estado, Celso Lisboa de Lacerda, ao avaliar a negociação iniciada pela madeireira com fins de assentamento, reconhece que o órgão se equivocou quanto à forma de análise da terra naquela época. ''O solo foi considerado inadequado para reforma agrária. Mas, ali, o caso é de regularização de lotes dos faxinais que já vivem na terra e tem condições de desenvolver atividade extrativa e agro-pastoril''. As negociações para adquirir a área foram retomadas recentemente, mas estão empacando na diferença entre o valor de avaliação da terra. ''Eles falam em R$ 12 mil por hectare, mas não existe terra no Paraná que valha mais do que R$ 10 mil. Ainda mais naquela região, com todas as dificuldades, o hectare não chega a R$ 2 mil''.
Atualmente, o Incra está fazendo o levantamento da cadeia dominial das fazendas pertencentes às Indústrias Zattar para verificar a sucessão de proprietários desde os primeiros títulos. De acordo com Celso Lisboa, os estudos feitos até agora indicam que os títulos da madeireira foram adquiridos regularmente. ''Mas pode haver buracos na documentação, e é isso que vamos ver''.
(F.C.)





