Luta por novos espaços
Quando foi convidado para participar da Oficina de Música Étnica Contemporânea com seu grupo Terra Sonora, o músico Plínio Silva pensou: "Finalmente!". O pensamento aliviado se refere ao fato de Curitiba ter ganho este ano um espaço para um tipo de música que muitas vezes fica restrito às prateleiras de CDs de World Music. "Um evento como esse traz para o público novidades que existem há muito tempo", diz Silva, referindo-se aos diferentes ritmos da música étnica.
Músico de formação erudita, Silva tocou música antiga e barroca até 1994, quando fundou o Terra Sonora. A mudança aconteceu depois de uma viagem para a Holanda, quando ele trouxe para o Brasil vários discos de inúmeros países. Decidiu começar a transcrever esses temas. O trabalho coincidiu com um período em que Silva estava cansado da música erudita, então resolveu reunir uma turma de músicos para tocar os temas já transcritos. "O que me atrai é justamente a diversidade geográfica e cultural. Minha ideia é abranger o mundo inteiro", comenta o músico.
A paixão de Plínio pela música étnica foi crescendo, assim como a banda. Hoje o Terra Sonora tem 10 componentes, que tocam 40 tipos de instrumentos diferentes, de várias partes do mundo. Além disso, Plínio tem outras duas bandas, formadas por alunos e ex-alunos. Somadas, são quase 50 pessoas tocando músicas de diferentes países.
O instrumentista diz não gostar de reduzir o termo música étnica referindo-se a ela como apenas música folclórica. "Prefiro música tradicional, pois fica mais abrangente", diz. Para Plínio, a principal característica dessa música, que agrupa em um mesmo termo sons e ritmos tão distintos, é a simplicidade. "É uma música simples, por isso se propaga pelo tempo. Mas, mesmo de base simples, pode ser bastante complexa. Simples não é sinônimo de fácil", afirma ele.
Já para o músico e pesquisador Carlos Simas, que ministrou uma palestra sobre música celta, a música étnica é a música folclórica de qualquer país. Para ele, o principal atrativo da música étnica é a beleza. "O que me atrai é a beleza. É um tipo de música contagiante e envolvente", encerra Simas. (T.A.)





