Luiz Inácio Lula da Silva disputa a presidência da República pela terceira vez como o principal candidato da oposição. Após liderar a maior greve dos metalúrgicos da história do País, há 20 anos, em São Bernardo do Campo (SP), ajudou a fundar, em 1980, o Partido dos Trabalhadores, pelo qual tenta mais uma vez chegar ao Palácio do Planalto.
A greve do ABC paulista em 1978 foi um marco no processo de redemocratização do País e fez com que os caminhos de Lula e do sociólogo Fernando Henrique Cardoso se cruzassem pela primeira vez. Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, Lula apoiou Fernando Henrique, que na eleição daquele ano iniciava sua carreira política disputando uma vaga no Senado pelo PMDB de São Paulo.
Vinte anos depois, os dois são os principais adversários na disputa pela presidência da República, repetindo o quadro da última eleição. Fernando Henrique quer mais quatro anos de governo para consolidar as reformas estruturais do País. Lula quer ser presidente para provar que um metalúrgico que conhece de perto os problemas da população mais pobre e sempre esteve do lado dos trabalhadores para negociar melhores condições de vida é a pessoa mais qualificada para reduzir os desequilíbrios
sociais do Brasil.
Na campanha deste ano, o refrão da música que anima os programas de Lula no horário eleitoral gratuito diz: ‘‘Quem sabe é quem sente.’’ Os coordenadores da campanha tentam passar aos eleitores a mensagem de que não é preciso ser um professor poliglota com vários títulos para saber quais são os verdadeiros problemas do País. Eles querem convencer os eleitores de que Lula conhece melhor o Brasil, porque sentiu na pele o drama social da maioria dos brasileiros.
Nascido em Garanhuns, no sertão de Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, Lula poderia ser personagem de Graciliano Ramos ou Raquel de Queiroz. Com 7 anos de idade foi retirante da seca, viajando para São Paulo durante 13 dias em um ‘‘pau-de-arara’’ com a mãe e os sete irmãos, para se encontrar com o pai, Aristides Inácio da Silva, que arranjara um emprego de estivador no cais de Santos.
Aos 7 anos, Lula vendia tapioca, amendoim e laranja nas ruas de Vicente de Carvalho, no Guarujá (SP). Depois que os pais se separaram, Lula mudou-se para São Paulo com a mãe, Eurídice Ferreira de Mello. Aos 12 anos, conseguiu seu primeiro emprego em uma tinturaria. Trabalhou também como engraxate e office-boy. Aos 15, fez o curso do Senai para torneiro mecânico. ‘‘Aquele diploma de torneiro mecânico valia para minha mãe como um diploma universitário, porque ela sabia que com ele eu teria um futuro melhor do que o do meus irmãos.’’
Quando disputou pela primeira vez a presidência da República com o ‘‘caçador de marajás’’ Fernando Collor, em 1989, Lula sofreu discriminação por não ter diploma de curso superior e cometer erros primários de português. Ainda assim, perdeu a eleição por apenas 6% dos votos. Hoje, ele tenta vencer esse preconceito, que já o deixou amargurado a ponto de querer desistir da vida pública.
Na campanha de 94, sua imagem foi polida para que ele ganhasse respeitabilidade. Lula perdeu a eleição no primeiro turno por uma margem de 20 pontos porcentuais para Fernando Henrique, que estava apoiado no sucesso do Plano Real.

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