Você anda estressado, cansado, precisando extravasar? Não perca mais tempo. Dê um pulinho no número 2655 da Avenida Maringá e badale o sino da alegria. Você vai se sentir melhor. Não precisa ter vergonha. Aproveite e deixe uma flor na lápide do mau humor, que ali descansa em paz. Diz a inscrição no jazigo que ele morreu de uma crise aguda de riso. Você também pode fazer uma ligação para aquele amigo - aquele dos tempos de infância ou da faculdade com o qual não fala faz um tempão - direto da cabine telefônica mais charmosa da cidade, uma perfeita réplica das famosas telephone booths de Londres.
O jardim da clínica médica Sinamed é assim, cheio de surpresas. Um pequeno espaço da cidade que merece ser visitado. Além das atrações já citadas no parágrafo acima, há outras, como uma série de plaquinhas indicando a distância de Londrina para diversos lugares do mundo. Coisa interessante. Conhecimento.
Feitas pelo professor Jaime de Oliveira, do departamento de geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), as medidas indicam a distância exata daquele ponto, em linha reta, para lugares como Jerusalém, que está a 10.483 quilômetros. Para chegar ao Monte Everest, é preciso percorrer 14.989 quilômetros. Já para ir até a casa da mamãe basta caminhar um quilômetro. Casa da mamãe? É isso mesmo. Na verdade, de Nádia Abib Sahão, mãe do médico Ricardo Sahão, que dirige a clínica com o irmão Eduardo.
Com 50 anos de idade e 25 de medicina, casado e pai de dois filhos, Ricardo Sahão, autor das ''invenções'' que estão no jardim, dispensa o título de doutor. De excelente humor e do tipo que prefere o tom informal para um bate-papo, ele tem um jeito de ser que lembra o médico norte-americano Patch Adams, mundialmente famoso com o filme ''Patch Adams - O Amor é contagioso'' (1998), estrelado por Robin Williams.
''Muita gente pensa que o médico tem de usar cabelo curto e gravata. Os caras que mais destroem o mundo usam barba bem feita, terno e gravata. Imagem é nada, caráter é tudo'', explica Ricardo, relatando, na sequência, que teve uma educação humanística, voltada para questionar o mundo e o tempo em que vive, sempre respeitando o próximo. É justamente esse pensamento humanístico que faz com que ele esteja sempre criando novidades para o jardim, pensando em transmitir, à sua maneira, uma mensagem de alegria.
O sino da alegria, por exemplo, foi instalado com o objetivo de arrancar um sorriso de quem passa em frente à clínica. ''Ele é badalado umas 10 vezes por dia. As pessoas chegam, dão uma espiada para ver se não tem ninguém olhando, tocam o sino e saem rindo. É um momento de irreverência, de liberdade'', conta Ricardo, já mostrando uma placa com a Declaração Universal dos Direitos Humanos ao lado. ''Todo lugar deveria ter isso aqui. Ainda temos pessoas passando fome no mundo, isso é inaceitável'', reclama.
Mas há ainda a árvore da vida e placas com letras de músicas que o médico considera que foram importantes para unir as pessoas em torno de alguma situação. Entre elas, ''Pra não dizer que não falei das flores'', de Geraldo Vandré; ''Guantanamera'', do cubano Jose Fernandez Diaz, e ''Tragédia'', do chileno Victor Jara, brutalmente assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet, na década de 1970. ''Imagine'' de John Lennon, a preferida de Ricardo, tem um lugar especial. ''No meu jardim, plantei músicas para colher alegrias.''

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