Lugar da criança cega é na escola comum
Professor da turminha da 3ª série, Luiz Cézar Trevisan é também deficiente visual há 20 anos, mesmo tempo que exerce a profissão. "O Braille é um sistema de leitura e escrita com códigos de pontos em relevo. Seis pontinhos em 63 combinações, dispostos em três colunas, representam as letras do alfabeto, os números, pontuação, a simbologia aritmética e fonética", explica ele.
"Para cada letra há uma combinação diferente em Braille. Por exemplo, a letra A é um pontinho, B são dois pontinhos na vertical e o C são dois pontinhos na horizontal. A letra que tem todos os seis pontinhos é o E com acento agudo", ensina Trevisan, dizendo que a pessoa cega pode ser alfabetizada no colégio comum ou no especial. "Para conhecer bem os dois sistemas, a inclusão do deficiente visual numa escola comum seria melhor", acredita o docente.
"Nesse primeiro momento, a escola especial é positiva para a criança lidar com a emoção e o acolhimento, com certeza eles se sentem mais à vontade com outras crianças cegas. E os pais também ficam mais tranquilos", avalia. "Mas se fosse para assumir uma posição, acho que as crianças cegas deveriam estar em salas de aulas junto com as crianças que enxergam. Isso sim, seria a verdadeira inclusão. Mas é claro que precisamos ainda de professores que dominem os dois sistemas de escrita para atender bem a criança cega", defende Trevisan.
Na opinião dele, a criança cega que estuda em colégios especiais perde muito na socialização. "Quando se estuda no bairro, a pessoa faz parte da comunidade, cria vínculos. Mas se estuda num colégio especial não vive isso. A criança não pode ficar em casa o dia inteiro, precisa de outras experiências", incentiva. "Não adianta criar os filhos para um mundo que não existe, no mundo real eles terão que conviver com as pessoas que enxergam. Por isso acho que o lugar da criança cega é na escola comum", afirma Luiz César Trevisan.
"Há essa discussão sobre a inclusão do deficiente visual. Acho que a criança cega precisa desse tempo na educação especial para aprender melhor o Braille e o sorobã, a se locomover e se adaptar aos poucos", disse a diretora da Escola Especial, Mônica Adriana Alves. "Quando eles vão para as escolas estaduais continuar os estudos, já lidam com algumas dificuldades. Para escrever em Braille leva-se um tempo maior, é mais volumoso. Às vezes, iniciam o ano sem o livro didático em mãos, é preciso esperar um pouco para que a escola entregue a impressão em Braille. Mas temos que reconhecer que a produção de livros para o cego já melhorou bastante", contrapõe ela. (F.G.)





