A bilheteria do Festival de Curitiba está aberta desde ontem. Os interessados em pegar os melhores lugares e assistir as peças consideradas de destaque devem logo fazer a lista e correr para garantir o ingresso. Ontem mesmo uma razoável fila se estendeu durante todo o dia na bilheteria, localizada no Shopping Mueller.
O analista de sistemas e jornalista Adilson Fabris foi o primeiro da fila e isso não aconteceu apenas este ano. Já é tradição ele comprar os ingressos antes de todo mundo. "Desde a primeira edição do festival eu sou o primeiro ou segundo a comprar", explica. Fabris diz gostar de sentar na primeira fila, na poltrona central. As cabeças na frente e as conversas paralelas atrapalham a concentração. Para conseguir este assento, o jeito é ser um dos primeiros mesmo. O analista vai assistir "A Cabra", "Calígula", "Rock’N’Roll" e "A Mulher que Escreveu a Bíblia", todas da Mostra Contemporânea. "As peças do Fringe eu vejo mais para frente, com mais tempo para analisar o roteiro", conta.
Quem também esteve no primeiro dia para garantir ingresso foi a funcionária pública Isabel Jaconal. Ela levou nada menos que 33 bilhetes. A maratona inclui os filhos com as namoradas e, às vezes, até as sogras. Ela diz assistir aproximadamente nove peças por festival, mas sempre acompanha a movimentação teatral que ocorre em Curitiba durante o ano. "O festival acaba sendo um evento familiar, já que reúne muita gente lá de casa", diz Isabel. Nos outros anos ela também comprou os ingressos no primeiro dia de venda.
O servidor público Edgard Tesser ficou uma hora e meia na fila para garantir os 14 ingressos que adquiriu. Ele se programou para assistir seis peças da Mostra Contemporânea. Para conseguir os melhores lugares, Tesser compra as entradas sempre no primeiro dia. "Alguns teatros são muito grandes e se ficamos muito longe não conseguimos ver a expressão do ator ou escutar direito o texto. Prefiro garantir um bom lugar", explica. Os espetáculos escolhidos foram "A Cabra", "A Mulher que Escreveu a Bíblia", "Maria Stuart", "A Inveja dos Anjos", "O Estrangeiro" e "Rock’N’Roll".
"Gostei da programação. Na medida que o festival corre eu pego a opinião de algumas pessoas e escolho outras opções do Fringe. Quero muito assistir A Casa de Bernarda Alba e também algum espetáculo da Cia. Senhas", diz Tesser, que frequenta o evento desde a primeira edição, há 18 anos. Em uma edição do festival ele conseguiu ver 11 peças, mas foi necessário jogo de cintura. "Saia de uma e ia correndo para a outra".
Tesser considera as primeiras edições do festival as melhores. "Naquela época o teatro feito no Brasil era mais ousado e inovador. Aquele foi o momento de maior efervescência cultural. O País não tem produzido coisas assim ultimamente".

Tem mais
Não pense que poucas pessoas se programam para enfrentar a bilheteria logo no começo. O estudante de medicina Fábio Silva preferiu não arriscar ficar sem ingresso e chegou logo de manhã para garantir seus ingressos. Ele vai assistir "Calígula", "Sin Bagre" e "Memória Afetiva de um Amor Esquecido". "Achei bem diversificada a programação. Tem para todos os gostos", opina Silva. Há quatro anos o estudante integra o público do festival e confessa que, nos demais meses, não costuma ir tantas vezes ao teatro.
Quando a reportagem da FOLHA foi embora da bilheteria a fila ainda estava razoável e foi possível conversar com o empresário Artur Cezar. No ano passado ele viu oito espetáculos, sendo dois da mostra Fringe. Em 2007 foram nove no total. Neste ano comprou 16 ingressos para oito peças. "O festival cresce a cada ano e isso é ótimo. Gostei muito da programação deste ano, mas a do ano passado estava ainda melhor, com mais opções de musicais".

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