Longe da internet e do shopping
A família de Moacir Oliveira é uma das cerca de 20 que residem na Vila Brasília, a 20 km do centro de Prudentópolis (64 km a leste de Guarapuava), às margens da BR 277, entre Curitiba e Guarapuava. A simpatia e alegria do carvoeiro refletem uma característica incomum nos dias de hoje. O local não foi planejado como a Capital federal, muito menos tem a influência da Praça dos Três Poderes.
A centenas de quilômetros de shoppings, lanchonetes de fast-foods e filas para comprar o IPhones, a localidade não é muito conhecida pela população das grandes cidades. Lá não existe computador, internet, mercado ou mercearia, nem as facilidades da vida moderna. Um lugar que parou no tempo, mas que a simplicidade como estilo de vida se traduziu em felicidade no rosto das pessoas. A Vila Brasília é a prova de que um pouco pode significar muito e, às vezes, ser o suficiente.
É assim a vida das famílias que moram lá. Vacas, bois, cavalos, galinhas e porcos caminham livremente durante todo o dia pelo lugarejo e são apenas impedidos por uma porteira montada bem no meio da estrada para que os animais não fujam. Formada por casas espalhadas, com certa distância uma das outras, o local tem uma cor predominante: a verde dos gramados, das araucárias. Um açude corta o lugar e passa por um poço artesiano de onde é bombeada a água das casas.
Na Vila Brasília, animais não faltam, como cães e gatos em convivência harmoniosa. Mas, mesmo lá, um morador ou outro reclama da falta de oportunidades.
Sebastião Alves da Conceição, 51 anos, chamado de Bastião pelos vizinhos, mora na Vila há três décadas. Nascido na área urbana de Prudentópolis, ele trabalha em uma plantação de feijão, já trabalhou na lavora de fumo e ficou durante seis anos fabricando tijolos em uma olaria da região. ''Aqui é tranquilidade. O pessoal é gente boa. Só falta serviço melhor'', contou.
Ao fim da conversa, Bastião sai em uma charrete puxada por dois cavalos onde segue para a lavoura de feijão. Pelo mesmo caminho de Bastião, João Maria, 73, está parado, tragando um cigarro de palha, costume na região. ''Casei, tive filhos e fiquei por aqui mesmo'', resumiu Maria, agricultor de fumo também.
Assim como Bastião e João, o casal Mário e Leonora Rodrigues dos Santos, 62 e 58 anos, respectivamente, já estão na Vila desde que nasceram. Os dois conseguiram criar oito filhos, que continuam visitando os pais no lugarejo. Mário é o típico homem sossegado, sem preocupações, com uma pitada de palheiro e um gole de chimarrão, o casal passa o dia no trabalho doméstico e cuidando das vacas, galinhas e porcos. ''É bom, não né?'', pergunta Mário.
O casal tem dois cães em casa que correm de um lado para outro, mas com uma pequena diferença: ''Eles não tem nome'', conta Mário. Questionado o motivo dos animais não terem nomes, seo Mário, na simplidadae de sua serenidade, dá uma gargalhada e não responde, apenas dá de ombros. É assim a vida na Vila Brasília. (D.R.)





