Londrinenses falam sobre o que muda depois da fama
Mais do que se preparar para mudanças sociais e profissionais, quem tem a oportunidade de viver os próprios 15 minutos de fama deve sempre se prevenir contra os impactos emocionais e psicológicos que a tão esperada chance pode trazer consigo. ''Não é só o famoso que está sujeito às mudanças. Todo o ambiente à própria volta também vai mudar e devemos estar cientes disso'', explica a psicóloga Myrna Coelho.
Mudanças profissionais, pelo menos no caso dos londrinenses-celebridade, não aconteceram de forma drástica, apesar de alguns deles já estarem experimentando uma relativa ascensão financeira, mesmo exercendo as mesmas funções que executavam antes da fama.
O instrutor de mergulho Emílio Zagaia deixou transparecer que não faz questão de guardar as lembranças que tem da participação no Big Brother Brasil 3, realizado há dois anos e meio. ''Não mudou muita coisa na minha vida. Se colocar todas as consequências na balança, o resultado é que não ajudou nem atrapalhou'', afirma.
Antes de participar do programa, Emílio trabalhava em produções para TVs de Londrina, em países como Malásia e Tailândia, onde residia. Foi desclassificado do BBB 3 pelo voto popular depois de oito semanas e admite que teve certas facilidades em conseguir patrocínio para tocar projetos próprios. Hoje, Emílio continua instrutor de mergulho, tem uma produtora de vídeo em São Paulo, onde mora, e busca patrocínio para um novo projeto; nada muito diferente do que fazia antes.
Com destaque para um pequeno detalhe: ''Já perdi um trabalho porque a produtora interessada no projeto não queria ex-BBBs na equipe. Esse foi o lado negativo da fama, que a gente não pode confundir com sucesso. Financeiramente não tive muitas vantagens. Passei um ano recebendo cachês por participações em eventos. O que descobri é que fama não enche barriga'', exclama, sem deixar de reconhecer uma vantagem por ter participado do BBB. ''Fiz grandes amigos e voltei a morar perto da minha família''.
Como, obviamente, é um caso mais recente, Daniele Lopes ainda curte a ascensão proporcionada pela vitória no Concurso Garota Sarada 2005, no programa humorístico de Tom Cavalcanti, na TV Record. A jovem que trabalhava como gerente nacional de franquias de uma agência de modelos, vê-se hoje nas vitrines e garante que está curtindo a notoriedade. ''Busco minha independência financeira. Mas não posso negar que agrada muito ao ego'', diz. O dinheiro não deve demorar a chegar, já que os cachês por trabalhos se multiplicaram por 10. ''Estou me mantendo com eles'.
Propostas para posar nua estão sendo estudadas com cuidado. ''Devo fechar algo para janeiro'', conta, garantindo, ao mesmo tempo, que não quer viver só do sucesso decorrente da beleza: ''Vou prestar vestibular para jornalismo e quero ser apresentadora de tevê, em um programa de esportes''. Sinceridade também não falta à garota sarada. Ela admite tranquilamente que gosta de ser reconhecida na rua, mas também admite que a fama já está lhe cobrando um preço incômodo. ''As pessoas me olham e me analisam, me cobram saúde o tempo inteiro. Parecem não acreditar que eu posso ter celulite, por exemplo''.
Dos três personagens londrinenses, talvez o músico Ivo Pessoa seja o que mais possa contar vantagem das glórias que curte com a fama alcançada. A rigor, nada mudou na vida profissional do cantor. Antes de participar do programa Fama, da Rede Globo, ele era músico, e continua sendo, mais de um ano depois.
A diferença se faz, segundo ele próprio, nos trabalhos que realiza e nos relacionamentos que mantém hoje. ''Eu gravava jingles e tocava em bares de Londrina, onde morava. Hoje eu tenho uma música entre as mais executadas do País (''Uma vez mais'', tema do protagonista da novela das seis da Rede Globo), trabalho na produção do meu disco (a ser lançado em setembro) e conheço as pessoas que fazem a música no Brasil'', conta. ''A gente sempre busca melhorar nossas condições e é por isso que eu estou lutando'', explica. Desvantagens? ''Ficar longe da minha família. No entanto, o bem é para eles também e, se precisasse, passaria por tudo isso de novo''.(A.M.)





