Além da alegria pela lembrança, as caixas de presente de Natal também podem guardar algumas histórias. Para a executiva de comércio exterior londrinense, Maria Bortoni, essas surpresas, que se guardam para a vida toda, começou com um pedido. Não foi um pedido dela ao Papai Noel, mas de uma amiga que apareceu com uma solicitação diferente e inesperada.
Lá se vão mais de 30 anos, no Rio de Janeiro.''Mas ainda me lembro perfeitamente'', conta Maria. ''Na época, uma funcionária, colega de trabalho que eu mal conhecia, me pediu que visitasse um amigo na Penitenciária Frei Caneca. Ela disse que ia viajar no Natal e que não poderia visitá-lo''. Maria preparou, então, uma bandeja com um almoço natalino, revistas e jornais e rumou para o presídio com as duas filhas.
As duas meninas ficaram no carro, enquanto Maria visitava o rapaz. ''Era um homem bem moço e que não tinha recebido nenhuma visita ou presente. Ele ficou emocionado e agradeceu muito, mas também se surpreendeu quando disse que não sabia quem era'', lembra a executiva.
A funcionária da empresa teria orientado Maria a entregar no presídio uma cópia da carteira de identidade para que pudesse visitar o rapaz outras vezes. ''Antes de me despedir dele, o mafioso devolveu minha identidade e disse: 'Estou emocionado com sua bondade de sair de casa no Natal. Não deixe sua identidade, porque estou com fuga planejada e com seu sobrenome italiano, você será a primeira pessoa a ser presa para contar sobre o meu paradeiro'', conta Maria.
Nunca mais a executiva de negócios ouviu falar do rapaz até que, cerca de 30 anos depois, nos Estados Unidos (EUA), onde passava as festas de fim de ano, assistindo ao noticiário de TV, ficou sabendo que o jovem que visitara no Frei Caneca, detido em 1972 no Rio de Janeiro e que, naquele período, estava preso nos EUA, havia morrido na prisão.
''O nome dele era Gigante'', lembra, ''um mafioso de grande importância. Não me decepcionei, nem me arrependi de tê-lo visitado. Somente fiquei surpresa com a situação e não mudei de idéia sobre querer ajudar as pessoas. Aprendi que, independentemente de quem for, as pessoas são capazes de gestos de bondade, porque se o mafioso não tivesse me avisado, talvez eu tivesse problemas, simplesmente por uma simples visita'', conclui Maria.(F.L.)

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