O artista plástico londrinense José Gonçalves acaba de ser apresentado ao mundo da arte como um expoente da pintura contemporânea. Ele participou de 5 a 9 deste mês da Scope Art Fair de Miami, uma das maiores feiras mundiais da atualidade. Participam do evento as principais galerias, curadores, colecionadores e artistas dos quatro cantos do Globo. Ele foi indicado e apresentado pela conceituada Judi Rotenberg Gallery, de Boston, local em que já expõe suas obras há oito anos.
José Gonçalves conquistou o público norte-americano na primeira exposição na Judi Gallery, em 2000. De lá para cá, já foram cinco mostras na mesma galeria. A deste ano, por exemplo, só no primeiro dia 60% das telas foram reservadas.
Após sua terceira exposição em Boston, José Gonçalves entrou para a lista de artistas fixos da Judi - conquista jamais esperada, pois há uma grande demanda de artistas novos.
Todos os quadros que cruzaram o oceano nunca mais retornaram a Londrina. E, hoje, decoram várias moradias norte-americanas. Os grandes formatos, a riqueza de detalhes e recortes, o estilo ''patch work'' que imprime nas telas - que juntas podem formar um grande outdoor, mas que também podem ser separadas -, são algumas das características de suas obras.
Nem todo o sucesso internacional, no entanto, consegue enfraquecer o amor que José Gonçalves declara ter por Londrina. ''Gosto da simplicidade das pessoas daqui, do clima e do verde. A cidade é muito nova. As pessoas vieram sozinhas pra cá e por isso recebem melhor quem chega''.
Sair de Londrina nunca foi uma opção para Gonçalves, apesar de já ter recebido propostas para morar nos EUA. ''O legal da pintura é que eu posso morar aqui ou em outro lugar e o trabalho anda. Não preciso estar lá, posso produzir em Londrina e em poucos dias o trabalho está em qualquer cidade do mundo'', afirma. Mesmo estando fora do eixo Rio-São Paulo, seus quadros aparecem nas principais revistas especializadas em arte, decoração e arquitetura.
Driblando preconceitos
A tela, a tinta e o pincel fazem parte da vida de Gonçalves estão em sua vida desde os 12 anos. Mas encarar a pintura como profissão só aconteceu mesmo em 1991, após cinco anos de formado em arquitetura pela UEL. ''Nunca imaginei ser pintor. Era uma atividade malquista. As pessoas não orientavam de que isso poderia ser uma profissão'', lembra.
Mesmo assim a arquitetura acabou abrindo espaço para que voltasse a pintura e resgatasse seu verdadeiro dom. A conquista do primeiro prêmio no 9º Salão de Artistas Inéditos, em 1992, revelou que sua arte tinha algo mais. Um dos jurados definiu que o diferencial de seus quadros era possuir além das pinceladas do pintor o olhar diferenciado do arquiteto.
Vôos distantes
José Gonçalves nunca sonhou em viver de pintura muito menos vender seus trabalhos numa cidade a 12,6 mil km de Londrina. A idéia surgiu da mente de um amigo que, durante passagem por Boston, deixou fotos dos quadros em uma galeria da cidade.
Dois meses depois, a diretora da galeria liga convidando-o para participar de uma coletiva de novos artistas. Ele topa. As burocracias quase o fazem desistir. ''O único meio de enviar era o correio, acabei mandando minhas telas desmontadas e dobradas em caixinhas de Sedex. Depois de um mês, eles me pediram uma individual. Daí foi indo: um gosta, compra, o amigo vê, gosta e compra também; vai acontecendo'', descreve.
No mês passado, recebeu um e-mail de um morador de Beverly Hills que havia comprado um quadro seu na galeria de Boston, via internet. O colecionador disse que tem quadros de vários artistas reconhecidos mundialmente como Frank Stella, Damien Hirst, Roy Lichtenstein e Helen Frankenthaler, mas que ele e os amigos preferem mais a tela do londrinense.
No começo, Gonçalves acreditava que seu trabalho tinha tudo a ver com os EUA, com a Art Pop. Só que ao inserir seu quadro no contexto deles, percebeu que era totalmente diferente.
''Tem muita brasilidade por trás. Os americanos são muito contemporâneos, modernos. Os meus acabam ficando ainda mais originais lá. Por isso não me imagino morando nos EUA, acho que meu trabalho seria diferente não teria esta vida, esta luz que a gente tem aqui no Brasil'', enfatiza.

SERVIÇO
Exposições
Londrina - Galeria (Rua Neila Ribeiro, 355)
Curitiba - Alla Interiores (Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 996, Batel); Galeria Zilda Fratelli (Shopping Design Center, Av. Batel, 1750, lojas 8, 10 e 12)
São Paulo - Escritório D'Arte (Avenida 9 de Julho, 3229)

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