Londrina vai dobrar recolhimento fiscal
Injeção de mais de R$ 1 bilhão na economia local proporcionará crescimento recorde do PIB e da arrecadação
Ruth Meira
O recolhimento de ICMS de Londrina (Norte) deverá dobrar até o ano 2000. O PIB (Produto Interno Bruto) do município poderá crescer à taxa recorde de 15% em dois anos. Esses deverão ser os resultados numéricos do surto de desenvolvimento industrial que o município vive desde o ano passado. Pelo menos 16 investimentos de vulto, que totalizam mais de R$ 1 bilhão, começam a mudar a fisionomia econômica da ex-Capital do Café, que até a década de 70 só respirava o ‘‘ouro verde’’, do qual tirava sua riqueza, e via atividades como indústria e prestação de serviços como meras coadjuvantes da produção econômica.
Mas a história está mudando neste fim de século. O secretário municipal da Fazenda, Luiz César Guedes, diz que só o peso do recolhimento de imposto da Globaltelecom, o consórcio que vai explorar a telefonia celular no Paraná e Santa Catarina e que está instalando a sua sede em Londrina, muda o perfil tributário da cidade. ‘‘A Sercomtel, que atende apenas o município, recolhe mais de 20% de todo o ICMS de Londrina. Dá para imaginar o que passaremos a recolher com uma empresa desse porte, atendendo os dois estados’’, afirma. ‘‘A instalação da Globaltelecom em Londrina representa uma montadora para a cidade’’, compara o vice-prefeito Alex Canziani, que coordena o programa de desenvolvimento econômico da cidade, dirigindo a Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina).
Para o economista Ismael Mologni, ex-secretário de Fazenda e diretor financeiro da Sercomtel, Londrina é hoje um ‘‘oásis industrial no cenário recessivo do País’’. É ele quem projeta o salto fiscal até o ano 2000. ‘‘Apesar da isenção oferecida às novas empresas, o aumento da produção vai elevar muito a produção e a renda do município, reforçando a sua participação na distribuição do ICMS’’.
EstímuloO atual secretário de Fazenda, Luiz César Guedes, faz as contas: em 97, Londrina registrou um PIB de R$ 2,1 bilhões. Com a projeção de crescimento à taxa de 6% ou 7% em 1998 e também em 1999, o município deve virar o milênio com um Produto Interno Bruto na casa dos R$ 2,6 bilhões. Nada mau.
A onda de industrialização que varre todo o Estado vigorosamente também acordou Londrina para a necessidade de estimular a implantação de empresas capazes de gerar renda, abrir empregos, atrair outras tantas. Alex Canziani diz que Londrina já está ganhando nova fisionomia com o início das operações, por exemplo, da fábrica de embalagens Dixie Toga, inaugurada este ano. ‘‘Basta observar o movimento do Aeroporto de Londrina, a frequência dos hotéis, o dinamismo do mercado imobiliário’’, afirma o vice-prefeito.

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