Imagem ilustrativa da imagem Londrina tem alta gastronomia?
| Foto: Ricardo Chicarelli



Com excelentes restaurantes em todos os segmentos, discutir a alta gastronomia em Londrina exige que se parta da teoria. E segundo o professor e chef Marcelo Sokolowski, esse conceito vai além da comida, envolvendo desde o salão, equipe, utensílios entre outros. "Se pegarmos como critério de alta gastronomia as estrelas do Guia Michelin, temos poucos restaurantes no País", explica.

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| Foto: Shutterstock



Ele afirma que a gastronomia no Brasil tem crescido a partir de 1990, mas em Londrina esse movimento começou um pouco depois. "Esse lado cosmopolita da cidade é bom, mas atrasou a gastronomia aqui. As escolas começaram a surgir a partir do ano 2000, um pouco tarde em relação a Curitiba, mas está caminhando. Um lado muito importante aqui é a panificação, temos uma revolução. Melhorou muito nos últimos dez anos e começou com japoneses que aprenderam a fazer pão lá, como o Nelson (Boulangerie) e o Hachimitsu".

Hachimitsu
Hachimitsu | Foto: Ricardo Chicarelli
Nelson Boulangerie
Nelson Boulangerie | Foto: Anderson Coelho



Sokolowski explica que o que temos no Brasil é uma referência francesa, com a diferença de que lá o chef de cozinha de um restaurante estrelado se utiliza da cozinha regional para criar seus pratos, ou seja, a comida burguesa, de restaurante e a comida regional estão ligadas. "Ele retira o produto dele daquela cozinha regional e vai elevando o padrão. Executa as receitas com um toque a mais. Mas isso está mudando um pouco, a França já não é a única referência. Na parte técnica, sim, mas na parte do modelo de comida, não."

Bar Estoril, desde 1962
Bar Estoril, desde 1962
Lucílio Antunes Anacleto, proprietário do Estoril
Lucílio Antunes Anacleto, proprietário do Estoril



Para que a gastronomia evolua, ele destaca que é preciso uma mudança na forma de funcionamento dos restaurantes. Muitos ainda não contratam chefs por desconhecer que o profissional tem habilidade e formação não só para cozinhar mas para administrar toda a cozinha, incluindo os funcionários. Isso faz com que o dono não tenha que deixar o caixa, por exemplo, para ir verificar o andamento do serviço.

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Justamente por essa formação multicultural e o fato de desde cedo o londrinense aprender os sabores de pratos de diversos povos, Sokolowski afirma que quem deseja trabalhar com cozinha, por consequência está habilitado a fazer comida internacional. Claro que os sabores serão adaptados, já que os ingredientes serão outros, mas esse também é um conceito usado na alta gastronomia.

Bar Valentino, desde 1979
Bar Valentino, desde 1979



"Quando se cria alta gastronomia? Quando trazemos ingredientes locais. Fazer a reprodução com o que tem. Pode até fazer com técnicas locais. Essa é a tendência. Os franceses nos ensinam a fazer isso. Vamos usar mandioca, mandioquinha, o peixe do lugar. O londrinense tem que valorizar ingredientes locais. Antes o chique era servir salmão, hoje a tilápia melhorou muito, é um peixe sensacional, produzido aqui. A alta gastronomia funciona olhando essa questão local. Existe a globalização, ela é irresistível, mas o local é o que vai te definir como identidade. A pessoa que gosta de comer, quando vai para um local diferente, quer comer o que é de lá", destaca o chef.

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