Célia Baroni
De Londrina
Londrina conhece e explora apenas parte de sua potencialidade e competência tecnológica e é reconhecida por isto, mas necessita avançar e localizar novas oportunidades para se transformar numa cidade de ‘‘classe mundial’’. Este avanço possibilitaria melhor desempenho na competição internacional. Nesse sentido, órgãos de pesquisa privados e oficiais, com apoio da prefeitura e de empresários, realizam um trabalho de organização. É o ‘‘Londrina Tecnópolis’’
O projeto – ‘‘Análise das Potencialidades e Gargalos Visando a estruturação de um Pólo de Inovações Tecnológicas’’, tem à frente a Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), criada em 93. A entidade tem a tarefa de unir os meios empresarial, político e ciêntífico no sentido de alavancar projetos estratégicos e buscar novos rumos para o desenvolvimento tecnológico de Londrina e Região.
O presidente da Adetec, Luis Cesar Guedes, afirma que o Projeto Londrina Tecnópolis é um passo definitivo para a ‘‘construção’’ da Londrina do futuro. A prospecção vai permitir ao município definir desde a localização dos centros tecnológicos até as áreas de tecnologia que melhor suprem as necessidades das empresas e indústrias locais.
O conhecimento da capacidade e demanda de Londrina terá ainda a função de direcionar investimentos públicos e internacionais, consolidando a estrutura produtiva da cidade. O Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (IPPUL), vai abrigar o projeto que começa a ser desenvolvido em janeiro.
‘‘ Elaborar uma prospecção para saber como a cidade será daqui há 20 anos é indispensável. Somente com este projeto nas mãos vamos poder otimizar o desenvolvimento da cidade de forma itegrada, garantindo uma melhor qualidade de vida para todos’’, argumenta João Baptista Bortolotti, presidente do Ippul.
Ele explica que muitos setores perdem investimentos e a possibilidade de se tornar competitivos no mercado porque não tem bons projetos . ‘‘Um bom projeto é o passaporte para conseguir alavancar qualquer empresa ou cidade’’, comenta. A expectativa de todos os envolvidos é que o Londrina Tecnópolis consiga amarrar toda a comunidade em um compromisso de otimismo e empenho em prol da cidade.
A primeira demosntração de que a cidade está na direção certa é a concretização da VI Jornada Tecnológica Internacional de Londrina. O evento que acontece hoje, no Hotel Sumatra, trouxe para a cidade autoridades políticas, empresariais e representantes de institutos geradores de tecnologia de todo o País.
Diferente dos projetos já implantados na cidade, voltados para as grandes empresas, o Londrina Tecnópolis tem como foco principal viabilizar e impulsionar as pequenas e médio empresas que já estão aqui. Entre as propostas do projeto que já começam a tomar corpo está a criação dos Clusters.
O sistema pretende o aproveitamento total da capacidade da empresa no sentido de suprir, com o seu potencial, a demanda de uma empresa ‘‘amiga’’. O cruzamento de demandas cria uma ‘‘teia’’ de relações simbióticas que fortalecem todo o sistema produtivo da cidade.
Mauro Silva Ruiz, gerente do Projeto Londrina Tecnópolis, explica que o trabalho começa tendo como base os dados levantados em projetos anteriores. O desenvolvimento tecnológico, diz, têm seu perfil desenhado na potencialidade do município.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Industrial (PDI) realizado em 95 deu o ponta-pé inicial. Ele disponibilizou um levantamento geral das potencialidades do município, demanda e oferta de serviços e potencial industrial. Voltado para as grandes empresas, ele serviu de embasamento para a criação dos cilos industriais e evidenciou os atrativos da cidade.
Na sequência, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Tecnológico (PEDT), reuniu todos os geradores de tecnologia – UEL, Iapar e Embrapa etc – e fez um levantamento de como eles podem atender a demanda por mais tecnologia. A proposta, diz Ruiz, é criar parcerias entre a iniciativa privada e geradores de tecnologia para a elaboração de projetos estruturantes.
‘‘Nossos centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico são de alta qualidade, mas por falta de entrosamento , muitas empresas procuram fora da cidade tecnologias que poderiam ser geradas aqui mesmo e a um custo bem menor’’, afirma.
O futuro de Londrina está na tecnologia da informação (eletroeletrônicos, telecomunicações e informática) e alimentos nobres. ‘‘Temos tudo para ser top nestas áreas de teconologia’’, garante o presidente da Adetec, Guedes. No foco periférico estão as tecnologias na área de química, eletromecânica e biomédicas.

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