Londrina Tecnológica é uma realidade
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Aurélio Albano<br>Especial para a FOLHA 
Londrina entrou definitivamente em um mercado mundial que movimenta US$ 50 bilhões por ano, dando um salto na produção industrial e na geração de empregos. Com a criação da empresa Londrina Information Technologies (LINT), a cidade começa a atuar no setor de prestação de serviços de informática que são contratados por grandes empresas multinacionais fora de suas sedes, o chamado offshore outsourcing (terceirização).
A LINT, empresa de tecnologia que produz serviços a cliente que podem estar em qualquer lugar do mundo, é fruto da iniciativa de empresários londrinenses, com o apoio da prefeitura. Os investimentos estão sendo feitos em ritmo acelerado em suas primeiras parcerias estratégicas. Uma delas é com a alemã SAP, empresa líder mundial no mercado de software de gestão que atende a grandes grupos, como o Itaú e a Petrobrás. Há ainda outros dois clientes internacionais: uma empresa indiana e outra norte-americana, cujos nomes não podem ser divulgados devido a um contrato de sigilo.
O trabalho da LINT se baseia em três frentes: no recrutamento de profissionais de alto nível, fluentes em inglês, para treinamento de três meses nos EUA; o recrutamento e treinamento de estudantes das universidades da região, para compor a base da pirâmide; e a implantação de infra-estrutura, que está sendo instalada no piso superior do edifício da ASK, empresa de call center da Sercomtel, na zona oeste de Londrina.
Até o final do próximo ano a empresa deverá ter 800 profissionais trabalhando em projetos relacionados a três grandes clientes. Esse número deve chegar 5 mil novas vagas a médio prazo.
''Sempre acreditamos ter uma empresa de tecnologia da informação. É um processo que vem acontecendo nos últimos dois anos e que mostra o nível de maturidade que a cidade atingiu, pelos estudantes que tem, pelas instituições de ensino e pesquisa, pelo ambiente favorável para negócios'', afirma um dos investidores, o empresário George Hiraiwa, presidente do Conselho da LINT. ''A confluência desses fatores, mais um cenário favorável de mercado, fez com que Londrina entrasse nesse jogo'', completa.
Exemplo indiano
A LINT é uma empresa fundada com capital local, de R$ 6 milhões, investidos por empresários da cidade. Além de George Hiraiwa, os empresários Valter Orsi e José Augusto Rapcham comandam o grupo de dez investidores.
Segundo o presidente da empresa, Orestes Hypólito, foi a Índia quem fez explodir esse mercado, há 15 anos, por causa das vantagens competitivas que oferece, como baixo custo de mão-de-obra. Agora, a ''bola da vez'' é o Brasil, e Londrina está aproveitando esse bom momento.
''Uma vantagem do Brasil é que, em relação aos EUA, onde há grande demanda por esse tipo de serviço, o fuso horário é bem menor. Temos ainda uma afinidade cultural maior com os norte-americanos, em relação aos países do Oriente, o que também conta'', explica Hypólito, lembrando que nossos técnicos têm uma formação mais eclética, o que facilita a comunicação e uma adaptação melhor no desenvolvimento do sistema pretendido.
Em relação a Londrina, o diferencial da cidade conta bastante, segundo Hypólito. ''A cidade tem custo competitivo, está bem situada geograficamente, tem estrutura universitária muito forte e capacidade de atender. Também tem perfil sócio-econômico adequado'', explica.
Mas, segundo ele, o mais importante é o trabalho de longo prazo desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Tecnológico (Adetec) para mostrar que esse momento iria acontecer. ''Foi uma visão de futuro que preparou a cidade para isso, articulando os setores envolvidos, como os empresários, as universidades e a administração municipal'', destaca o presidente da LINT. ''Faltava aparecer um cliente, e eles começaram a aparecer'', completa.
Esse ambiente de negócios já atraiu e continua atraindo grandes empresas. O fato é que a LINT já nasceu com empresas-âncoras (como a SAP) e com grande interesse de outras multinacionais. É uma indústria que não precisa usar rodovias, não polui o meio-ambiente, só usa informação. E os recursos vêm de fora, em dólares.
A empresa também está formando nova categoria de profissionais em Londrina. Além dos bons salários - que ficam em uma média de R$ 3 mil, podendo chegar a R$ 10 mil - cria-se a oportunidade aos jovens, que têm a chance de aprimorar o inglês e se abrir para o mercado mundial.


