Cláudia Lopes
De Londrina
Londrina deve ganhar um gasoduto até o início de 2003. A Companhia Paranaense de Gás (Compagás) espera decidir qual fonte de suprimento fornecerá gás natural para a região Norte do Estado no primeiro semestre do próximo ano. A construção do gasoduto começa logo depois desta definição, segundo o presidente da Compagás, Antonio Fernando Krempel.
Compagás vem avaliando a melhor e mais viável alternativa econômica para ramal, dentro de quatro possíveis troncos em início de atividade, no Brasil e na Bolívia
Quatro fontes estão sendo estudadas pela Companhia: a extensão de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil via Penapólis (SP) – que está em instalação – o gasoduto argentino Transiguaçu, o gasoduto argentino Mercosul e o gás de Pitanga, município localizado no centro do Paraná, e cujas perspectivas de prospeção indicam alternativa com sucesso. Recentemente, engenheiros da Petrobras estiveram em Pitanga verificando as condições de exploração do gás.
Segundo Krempel, o ideal é que a Companhia consiga uma nova fonte de suprimento de gás – sem ser o Bolívia-Brasil – para que, com a competição, obtenha um preço menor. O gasoduto Bolívia-Brasil já está em atividade no País. A decisão da fonte de suprimento dependerá do preço de venda de cada uma. ‘‘Por enquanto, nenhuma das quatro consultadas enviou proposta com os preços’’, disse.
‘‘O preço do produto é o item mais importante na escolha da fonte. É preço baixo que vai fazer os empresários substituírem a fonte de energia de queima para o gás natural’’, explicou Krempel. Londrina e Maringá têm uma demanda estimada de gás de 500 mil metros cúbicos/dia. A construção de uma termoelétrica em Londrina, já anunciada pelo governo do Estado, vai aumentar esta demanda em mais 2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A Compagás vai construir as redes de distribuição. Já o gasoduto deve ser bancado pela iniciativa privada.
‘‘O gasoduto deve atrair novas indústrias para Londrina já que vai melhorar ainda mais a infra-estrutura da região’’, acredita Krempel. Os potenciais clientes do gasoduto são as indústrias que trabalham com processo de geração de calor como lenha ou óleo combustível.
O gás de Pitanga é considerado pela Compagás como um dos mais viáveis para abastecer a região de Londrina por causa da proximidade – por estrada, cerca de 230 quilômetros, que seriam encurtados com a extensão dos tubos do gasoduto. ‘‘Seria o jeito mais barato de trazer o produto para a cidade’’, disse Krempel. As perfurações de poços em Pitanga foram interrompidas pela Petrobrás há quatro meses. Para retomar a perfuração do poço do Rio Vorá, onde há indícios da existência de gás, a estatal está buscando parceiros no mercado dispostos a participar da exploração e produção de gás no Bloco BPar-10, que compreende 6,5 mil quilômetros quadrados no centro do Paraná.
Várias empresas nacionais e internacionais estão interessadas no negócio em Pitanga. Os nomes destas empresas devem ser divulgados ainda neste mês. Para perfurar cada poço, são necessários entre US$ 5 milhões e US$ 6 milhões. A Petrobrás pretende retomar as perfurações no início do próximo ano.

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