''Londrina não vai entrar nessa recessão''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Roberto Francisco 
O aniversário de Londrina serve como uma espécie de divisor estratégico na terceira maratona de Antonio Casemiro Belinati à frente da prefeitura. Ele está encerrando seus dois primeiros anos de mandato para iniciar a reta final desta administração com algumas das perspectivas mais otimistas que um prefeito pode ter em meio a um cenário tortuoso como o que se desenha para o País. Caberá a Belinati conduzir Londrina na entrada do próximo século e somar como prefeito, ao final do ano 2000, quase 20% da história do município.
Mais amadurecido e com cerca de R$ 50 milhões em caixa (devidamente aplicados), decorrentes da venda de ações da Sercomtel S/A Telecomunicações, Belinati garante que o município terá em 99 um período muito fértil em projetos do município. E reconhece que, para a economia do município, do Estado e do País, será um ano extremamente difícil, com o fechamento de empresas e perda de empregos.
Para o prefeito, serão, portanto, dois cenários distintos. Estou muito confiante e otimista porque, em que pese a crise, Londrina será um município diferenciado no Brasil no ano de 99, ressalta. Temos dinheiro guardado, vamos implementar projetos importantes. A cidade de Londrina não vai entrar nessa recessão em termos de obras públicas.
O fôlego financeiro da prefeitura permitirá, por exemplo, reformular o Calçadão, que Belinati reconhece como deteriorado, iluminar áreas importantes da cidade e implantar projetos ecológicos e turísticos. Londrina começa a ganhar, neste próximo ano, um aspecto de modernidade ainda maior, promete.
Entre os planos de Belinati está também espalhar pela cidade cabines telefônicas iguais às utilizadas em Londres, como forma de resgatar o vínculo do município com a capital inglesa da qual herdou o nome. Se depender das contatos já iniciados pelo prefeito, em breve estarão circulando pela cidade também os ônibus vermelhos de dois andares, outra marca registrada de Londres.
A aplicação dos recursos disponíveis é definida por Belinati como uma obrigação espiritual. Ele evoca a Deus para explicar o motivo pelo qual optou por transformar os recursos em obras. Deus não quer que você fique com o dinheiro parado, servindo aos interesses dos banqueiros. O dinheiro tem que girar, porque fazendo isso conseguimos embelezar a cidade, dar a qualidade de vida que a cidade quer e também gerar empregos.
Um dos principais pontos que estarão balizando as iniciativas e investimentos da prefeitura nestes próximos dois anos será o planejamento macro do desenvolvimento do município. A prefeitura, argumenta Belinati, tomou o cuidado de consolidar alguns projetos estratégicos para garantir renda, oferta de empregos e geração de pólos específicos em nossa economia. O Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) fez surgir a Cidade Industrial, planejada pelo arquiteto Jorge Whilhein, e atraiu investimentos para a instalação de suas primeiras fábricas que ultrapassam R$ 1 bilhão.
Agora, Londrina começa a consolidar a formação do pólo de telecomunicações, com a presença da Sercomtel, da Global Telecom e do Teleporto. Os pólos de informática e medicina serão os próximos a merecer atenção, bem como a agroindústria, antecipa.
Outra prioridade será a implantação, na prática, da Região Metropolitana de Londrina, já aprovada pela Assembléia Legislativa. Com os colegas de Cambé, Ibiporã, Rolândia e Tamarana, vamos definir a composição de um órgão capaz de propor soluções amplas para a Região Metropolitana. Isso significa que as soluções de Londrina não poderão ser mais pensadas isoladamente.
Segundo o prefeito, deverão caber ao município os maiores encargos e responsabilidades dentro deste processo de integração. Os planos de investimentos do município, acrescenta Belinati, serão pensados dentro desta nova realidade, que é inédita no País fora das regiões centralizadas pelas capitais.


