Do alto do apartamento onde moro contemplo Londrina e visualiso obras novas em toda parte. Desço e percorro a cidade, das ruas centrais aos bairros, e em toda parte vejo algo diferente, melhorado, e edificações surgindo aqui e ali, grandes e pequenas. Não posso, pois, concordar com os que afirmam aleatóriamente que a cidade está parada. Falar mal do lugar onde moram é apenas hábito de alguns.
A cada momento um novo empreendimento imobiliário é lançado, e o interessante é que os compradores aparecem e tudo se vende. Londrina, nos últimos anos, ganhou novas instituições de ensino superior, e recentemente fincou alicerces, aqui, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Vou ao aeroporto e vejo as obras da nova estação aeroviária. Em anos não muito distantes não tínhamos a frequência de vôos que temos hoje, e agora basta ir ao aeroporto, aguardar o próximo vôo e embarcar. Um novo campo de pouso, particular e destinado a pequenas aeronaves, foi inaugurado recentemente.
Saio na noite e encontro um novo restaurante, um novo bar. Os antigos vão se melhorando, para enfrentar não a concorrência, mas as novas exigências dos habituês. A qualidade dos serviços melhora. Lojas de conveniência estão presentes em toda a cidade e abertas permanentemente. Na emergência, pode-se comprar a qualquer hora o que falta em casa.
Londrina já não aceita o pior, porque conheceu o melhor. A população passou a exigir, e isto foi acontecendo de forma espontânea, sem imposições, sem passeatas de protesto... Tudo normalmente.
Sim, existem também os assentamentos sem infra-estrutura, as favelas, mas isto é sinal de que mais gente veio chegando. Vejo uma grande maioria de automóveis novos circulando e, próximo de ondo moro, uma nova revendedora se instalando. Deve ser porque há compradores de carros novos! E vejo também muitos veículos de quinta linha rodando, mas isto é igualmente um sinal de progresso, porque eles são de gente que nunca possuiu um carro antes, e agora já tem um. O próximo passo pode ser um melhor, até chegar a um zero-km.
Vou aos Cinco Conjuntos e vejo que o outrora bairro pobre e popular é hoje uma cidade, já auto-suficiente nas coisas básicas. Aos domingos de manhã há ali uma feira-livre, ao longo da Avenida Saul Elkind, que vende de tudo.
Nos últimos meses, dois novos hipermercados instalaram-se na cidade, um outro ampliou-se, um médio shopping-center foi inaugurado, tudo isso resultando em melhor oferta de serviços. Os estabelecimentos menores olham para os grandes e vão introduzindo mudanças. Porque o consumidor não deixa por menos. Não há saudade do que foi pior. São marcas da cidade que cresce. Porque crescer é também elevar o grau de exigências.
A Prefeitura esvazia o Lago Igapó, porque é preciso despoluí-lo. Verdade que aquela situação de aparente abandono está incomodando, mas coisa melhor virá. Pior se não estivesse acontecendo nada. Agora a melhoria é irreversível, porque a população cobra.
Aumentou sim, também, o índice de insegurança na cidade, consequência das políticas equivocadas do governo federal, que resultaram em retração econômica e em desemprego, mas esse é um mal nacional, e se isso não chega a ser um consolo ao menos se sabe que há lugares onde as coisas estão piores.
Há cidades no Brasil que não avançaram muito e algumas até perderam população, com a qualidade de vida em declínio. Londrina continua atraindo empreendedores, e nos últimos anos pelo menos duas megaempresas instalaram-se aqui. Sabe-se que as que se instalam em cidades vizinhas são atraídas antes de tudo pela proximidade do grande centro.
Quando algo parece pouco favorável, não se deve olhar a cidade isoladamente, mas observar toda a conjuntura nacional, que no momento não é das mais entusiasmantes. A Londrina que chega hoje aos 67 anos é uma cidade em contínua expansão, e não se conheceu no correr de sua história nenhum momento de estagnação. Ou esta metrópole não teria chegado ao que é, em tão pouco tempo.

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