Londrina na maioridade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Célia Musilli<br>Reportagem Local 
Os 70 anos de Londrina pulsam no compasso da modernidade, mesmo porque sua história, já contada à exaustão, guarda o valor dos novíssimos desafios que sempre equilibraram numa ponta a lenda, na outra a verdade, como acontece quando se exercita a ficção do futuro. Dizem que aqui se acendiam charutos com notas de 1 dólar. Dizem que aqui, nos anos 50, desembarcaram as mulheres mais bonitas do planeta. Dizem que aqui se cumpriu a profecia de que um oásis nem sempre é miragem: é paisagem, que se dissolve nas águas do Lago Igapó refletindo, ao mesmo tempo, o caos urbano e a sua poesia.
Muito já se falou de Londrina sob a perspectiva da história e da memória, mas o maior desafio é compreender o presente que a configura como irreversível metrópole do século 21. Para onde sopram o ventos do futuro? Em que segmentos Londrina desponta como uma cidade capaz de corresponder às exigências de transformação que a coloquem, ao mesmo tempo, num cenário de progresso e qualidade de vida?
Hoje, a cidade que nasceu do barro tem cerca de 2 mil quilômetros de ruas asfaltadas; consome mais de 2 milhões de metros cúbicos de água por mês; tem 150 mil casas com energia elétrica, além de comportar, só este ano, um movimento de 19 mil vôos em seu aeroporto. Vista do alto, Londrina desconhece fronteiras e cresce em todas as direções, como um imenso mosaico alternando riqueza e pobreza.
A equipe da Folha, nesta edição, mergulha na cidade que transita do presente para o futuro. Deixamos um pouco o seu passado para resgatar na cultura e na educação, na ciência e na economia, na saúde e no meio ambiente as experiências que mostram Londrina com veias irrigadas, pronta para vivenciar sua vocação de metrópole, ao mesmo tempo que precisa encontrar soluções para os desafios que perturbam seu jovem cenário urbano. Para nossa felicidade, encontramos uma cidade que tem corpo e alma.
No seu corpo mapeamos pesquisas que colocam nossos cientistas na vanguarda do mundo; artistas que falam a linguagem do planeta; atletas tipo exportação; escolas que tratam a educação como um celeiro de novas mentalidades; profissionais que elevam a saúde à instância da modernidade; empresas que dividem o lucro com o conceito de cidadania.
Na sua alma porque as cidades têm alma encontramos pessoas que formam um tecido urbano que tem força e pressa. Força para movimentar a engrenagem do desenvolvimento. Pressa para construir, no século 21, a cidade dos sonhos, onde seus filhos e netos desenham seu projeto futurista. A eles dedicamos, nos 70 anos de Londrina, o jornalismo paixão.


