Na terra fértil em abundância abriu-se a estrada de ferro construída para inaugurar o progresso e atrair quem apostasse na promessa de riqueza forjada para povoar o até então selvagem norte paranaense. Os braços fortes fizeram cair as árvores, transformaram em casebres os primeiros troncos e formaram a cidade que chega hoje aos seus 74 anos. Londrina vive um momento crucial: tal qual menina prestes a virar moça, precisa superar a infância gloriosa para ganhar maturidade.
  O historiador e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Miguel Arias Neto, autor de ‘‘O Eldorado: Representações da Política em Londrina entre 1930-1975’’, conta que a cidade cresceu no ritmo da crise e da guerra que assolavam o Brasil e o Mundo em sua primeira década. Depois da tempestade finalmente chegaram os dourados anos 50 e 60, que transformaram a cidadela que florescia em meio aos cafezais. ‘‘Aí o crescimento é vertiginoso, para usar expressão de um antigo morador. Temos a multiplicação dos negócios, o aumento da população e o surgimento de mitologias como a ‘terra onde se anda sobre o dinheiro, onde se acende cigarro com notas de mil cruzeiros’’’.
  Nos anos 70, a crise da cafeicultura desvia o dinheiro dos produtores para outras direções, o que favorece a especulação imobiliária, consolida a verticalização e intensifica a favelização. ‘‘Essas características que a cidade possui agora vem desde antes, mas Londrina tem outras oportunidades hoje como, por exemplo, as escolas de nível superior’’, analisa o historiador, sentenciando que a fama do passado ‘‘está morta e enterrada’’. ‘‘A Londrina atual tem muitos atrativos – é pólo comercial, de serviços, tem força regional –, mas não tem a dimensão que tinha nos anos 50, inclusive porque o mundo é muito diferente’’, observa.
  O urbanista e professor Eduardo Suzuki ressalta que, mesmo com dificuldades e com menos ousadia que no passado, Londrina cresce e merece respeito. ‘‘No auge da riqueza e nos anos subseqüentes houve um planejamento que foi se perdendo ao longo dos anos. Hoje, chegamos há mais de 500 mil habitantes e não existe uma estrutura de planejamento adequada ao porte da cidade e da região que ela comporta’’, opina.
  Suzuki diz que é preciso valorizar o material humano existente para retomar o vanguardismo e estabelecer um crescimento ordenado mirando as próximas décadas. ‘‘Londrina tem que assumir sua responsabilidade como pólo regional, criar políticas de industrialização, melhorar questões de logística como o aeroporto, entre outras coisas’’, avalia o urbanista.

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