Londrina está no mapa de investimentos de grupos estrangeiros e nacionais, que têm se deslocado dos grandes centros urbanos para o interior, dando novo vigor à economia fora das capitais. Desde 1997, a terceira maior cidade do Sul do País conquistou investimentos de R$ 1.058.400.000, mudando o seu perfil agrícola e reforçando um parque industrial até então incipiente.
Números da Receita Estadual sobre os recolhimentos do ICMS junto às indústrias em 1998, quando os novos grupos ainda não estavam em operação, são reveladores: 93,5% do imposto recolhido no setor havia sido gerado por 10 grandes contribuintes, em um universo de 1.419 indústrias. Considerando a modesta participação da indústria no bolo tributário, de menos de 15%, pode-se perceber como o setor secundário era pífio no panorama produtivo do município.
A febre industrial começou com a instalação da Dixie Toga e Atlas no novo Distrito Industrial, na zona norte da cidade. A primeira, inaugurada em julho de 98, investiu R$ 40 milhões em duas unidades e abriu 400 empregos. Logo em seguida, anunciou uma terceira indústria que criaria outras 350 vagas. A Atlas trocou o ABC paulista pelo norte do Paraná, investiu R$ 73 milhões e empregou diretamente mil funcionários.
A onda de investimentos conta também com empresas dos setores de comércio e serviços. A lista da Codel, com 20 nomes, inclui representantes de todos os setores. Ultragás, Milenia, Minagás, Super Muffato, Itap-Bemis, Inepar, Casa do Empreendedor, Kumho Tyres, Cacique Solúvel, Montasa, Globaltelecom, Confecções Vox, Hussmann Fast Frio, Hakme, Companhia Norte-Paranaense de Bebidas, Diamond, DKS Bicicletas e Ágape.
Dessas, algumas estão consolidando agora os acordos com a Companhia de Desenvolvimento. É o caso da empresa londrinense Ágape, que fabrica peças para botijões de gás e anunciou em maio o início das obras de expansão. A Hakme, de confecções, confirmou a construção de sua quarta unidade em Londrina em dezembro passado. Vai abrir 800 empregos. Outras, como a coreana Kumho, de pneus, ainda aguarda o sinal verde do BNDES para garantir a obtenção de financiamento e dar início à sua instalação no município.
Entre os investimentos consolidados e que já resultaram em novos empregos, a Globaltelecom, empresa de telefonia celular que instalou em Londrina a sede para o Paraná e Santa Catarina, lidera a lista das prestadoras de serviços que pegam carona na onda de desenvolvimento. No setor industrial, o destaque é para a Milenia Agro Ciências, resultado da união da londrinense Herbitécnica com o grupo gaúcho Defensa, associadas às israelenses Makhteshim Chemical Works e Agan Chemical Manufactures. A recém-criada Milenia é hoje a maior indústria de Londrina e segunda do setor no País. Um reforço e tanto para um parque industrial nascente. (R.M.)

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