Londrina é preparada para ser a Cidade do Futuro
O arquiteto João Baptista Bortolotti, um dos principais urbanistas de Londrina, constata que Londrina está sendo preparada pela atual administração para ser a Cidade do Futuro com crescimento estruturado, respeito ao meio ambiente e alcance social.
Bortolotti acompanha de perto a história londrinense há pelo menos quatro décadas e teve a oportunidade de ter atuado nas administrações dos ex-prefeitos José Richa, nos anos 70, e Wilson Moreira, nos anos 80.
Apaixonado por Londrina, o arquiteto está sempre pensando a cidade e, para isso, circula por todas as regiões. Por sua experiência e conhecimento do desenvolvimento urbano, como consultor elaborou para a prefeitura, no início deste milênio, o Plano Macroviário e o projeto Anel do Emprego.
É um plano que teve seu embrião num estudo desenvolvido em 1974, na administração do prefeito Richa, quando a prefeitura trabalhou em conjunto com a empresa Serete, de São Paulo. Foi daí que surgiu a primeira grande avenida estrutural, a Dez de Dezembro (Via Expressa), lembra Bortolotti.
Segundo ele, esse primeiro plano previa como vias estruturais as avenidas Maringá, Higienópolis, Duque de Caxias, Dez de Dezembro, Brasília e Juscelino Kubitscheck, além da rua Pernambuco.
Bortolotti conta que o estudo já utilizava o conceito de malha modulada, que no atual Plano Macroviário foi incrementado com o prolongamento de vias estruturais até áreas limítrofes. De concreto, em termos de estrutura viária urbana no passado, após a Via Expressa a cidade só teve mais uma obra importante, que foi a avenida Leste Oeste, na administração do prefeito Wilson Moreira, afirma ele.
O novo Plano Macroviário identificou e fixou as principais avenidas estruturais de Londrina, prevendo a formação de um amplo anel de integração, com 42 quilômetros, percorrendo todas as regiões da cidade nos sentidos Norte-Sul e Leste-Oeste.
No contorno desse sistema viário, o plano contempla a instalação do chamado Anel do Emprego, com objetivo de otimizar a criação de empregos em áreas com facilidade de transporte e de escoamento da produção.
Além da infra-estrutura viária, o Anel do Emprego propõe a criação de barracões industriais, incubadoras e centros de formação de mão-de-obra. Para a consolidação do Plano Macroviário, o projeto prevê obras de duplicação de algumas vias existentes e alargamento de outras, com a adoção do recuo frontal obrigatório, na faixa de cinco metros que separa as edificações das calçadas.
Segundo Bortolotti, o dispositivo está previsto no Estatuto das Cidades, inclusive possibilitando a incorporação dessas áreas pelo município sem necessidade de desapropriação. A incorporação pode ser viabilizada por políticas compensatórias. Uma das vias com esse perfil é a avenida Maringá.
Para o arquiteto, a Cidade do Futuro está garantida na filosofia do Anel do Emprego, com os setores produtivos ocupando áreas intermediárias em todas as regiões da cidade. É um novo conceito de Zoneamento Urbano, com a convivência entre o setor produtivo e a habitação com plataforma ambiental, e o emprego próximo ao trabalhador, explica.
Bortolotti analisa que está totalmente ultrapassado o conceito urbano que separa as áreas residenciais do local de trabalho criando zonas exclusivamente industriais ou comerciais, que acarretam desvantagens como o custo do transporte e o tempo gasto para se chegar ao trabalho. Além da economia para o empresário, o novo modelo dá ao trabalhador a possibilidade de ficar mais tempo com a família, ou utilizar sua folga com outras atividades de lazer.
Pelo novo plano, na Londrina do futuro será possível estabelecer a convivência de residências com atividades comerciais ou industriais, desde que não haja prejuízo à qualidade de vida. Se o nível de poluição da empresa for adequado, não há problema. Caso contrário, você engessa a cidade, observa o arquiteto. Assim, de acordo com ele, os novos espaços industriais não vão precisar de altos investimentos, que incluem redes de água, esgoto, energia elétrica e pavimentação.
Ele salienta que, no novo anel viário e no Anel do Emprego, essa estrutura praticamente já está pronta. Basta fomentar a instalação de empresas, com uma análise individualizada de cada projeto. São lotes pequenos, dentro do conceito de urbanismo com política social, garantindo o emprego, a escoamento da produção e, ao mesmo tempo, a inclusão social com habitação e qualidade
ambiental.





