Londrina é ‘lar dos imigrantes’


Fernando Rocha FaroReportagem Loca
Fernando Rocha FaroReportagem Loca

Deixar o país ou a cidade natal para tentar a vida em locais distantes. Enfrentar o desconhecido, as dificuldades em relação ao clima, idioma e a saudade dos parentes e amigos. Em Londrina, é comum encontrar pessoas neste tipo de situação. A cidade abriga tanto imigrantes de outras nações, que formaram importantes colônias na Região Norte do Paraná, e migrantes de outros estados, que estão aqui em busca de estudo, trabalho e riquezas, ou simplesmente sobrevivência.
Questões políticas foram um fator determinante para a vinda de diversos estrangeiros para o Brasil e para Londrina, entre outras cidades. Atualmente, imigrantes e descendentes de japoneses, italianos, portugueses, espanhóis, russos formam o rico cenário cultural da cidade. Um exemplo é a família Polkiskh, que - expulsa da Rússia pelo comunismo -, veio para o Brasil e estabeleceu-se na Região Norte do Paraná em 1935.
''Na época o Brasil estava no auge. A terra de Londrina é muito boa e havia muito café. Todos progrediam aqui. Não tinha e não tenho porque ir embora'', opina Miguel Polkiskh, 77 anos. A história tem se repetido com frequência na cidade. É comum estudantes virem para Londrina e criar raízes na região depois de formados. O caso dos Polkiskh, no entanto, é diferente das centenas de alunos que escolhem as universidades daqui para estudar. Miguel e seus familiares vieram parar em Londrina por acaso.
A motivação para deixar a Rússia foi fugir da perseguição política promovida pelo regime comunista. Quando Miguel tinha apenas cinco anos, a família deixou a gelada Slavogorot, na Sibéria, rumo à Índia. A viagem está bem viva na memória do mecânico devido a um ''detalhe.'' A jornada, que durou 78 dias, foi feita a pé. ''Atravessamos o Afeganistão até a Índia. Enfrentamos o frio e o cansaço. Muitos se surpreendem quando falo do que ocorreu tanto tempo atrás. Mas depois de tudo o que eu passei, todas as dificuldades, fica impossível esquecer'', destaca Polkiskh. Cerca de vinte pessoas da família fizeram a viagem, enfrentando todas as dificuldades climáticas e a fome.
Foi em terras indianas que surgiu a oportunidade dos Polkiskh virem para o Brasil. Como o país de Mahatma Gandhi era colônia britânica, eles receberam convite para trabalhar na Companhia de Terras Norte do Paraná, em Londrina. Após desembarcar no Porto de Santos, chegaram à região da Usina Três Bocas em 10 de julho de 1935. Na área, foi montada a Colônia Russa, que reuniu 13 famílias conterrâneas no trabalho na lavoura. Por ser região de baixada e suscetível às geadas, eles não plantavam café na área. A alternativa era a criação de gado e outras culturas, como arroz, feijão, trigo e milho. O trabalho na roça garantiu o sustento da família que, até poucos anos, manteve o sítio na área da usina. A propriedade da família foi desfeita há poucos anos, quando o pai de Miguel fez uma troca por uma casa no Bairro Aeroporto (Zona Leste) e veio morar na cidade, onde permaneceu até falecer.

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