Londrina deve ser tratada como metrópole
Lucilia Okamura
De Londrina
O crescimento de Londrina não pode ser pensado apenas como de uma cidade de porte médio, que atende a municípios do Norte do Estado. Londrina, na verdade, é uma cidade pré-metropolitana que engloba uma população de cerca de 2 milhões de habitantes de municípios também de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A opinião é da professora do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Yoshiya Nakagawara Ferreira, especialista em desenvolvimento urbano. Ela observa que Londrina já tem o que chama de boa economia de escala. Temos uma boa escala de comércio varejista e atacadista, serviços de saúde, de educação etc. São externalidades que fazem com que a cidade tenha uma certa autosustentação, afirma. Porém, ela ressalta que muitos problemas precisam ser sanados urgentemente para evitar que se tornem cada vez mais graves.
Um dos itens considerados mais sérios pela professora é a invasão na periferia, em terrenos públicos ou privados. Se por um lado está resolvendo a questão da moradia de muitas pessoas, por outro lado, está criando problemas, observa. Um dos problemas que ela cita é o estímulo ao comércio clandestino de lotes invadidos.
Yoshiya defende uma ação conjunta (entidades civis e poder público) para encontrar soluções para a a invasão de terrenos. Uma das medidas que considera prioritária é o cadastro urbano das invasões. Além disso, ela explica que é preciso trabalhar para que determinadas áreas, como os fundos de vale, não sejam invadidas. E se forem ocupadas, é preciso dar uma resolução rápida, transferindo para outros locais, acrescenta.
Segundo a professora, a última desapropriação feita pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), há cerca de duas semanas, transferindo famílias de sem-teto de um terreno da zona sul para assentamentos da cidade é um bom exemplo de como o processo deve se executado. Não adianta apenas desocupar e derrubar os barracos.
O desemprego é outro problema que precisa ser combatido rapidamente, segundo a professora da UEL. Afirmando que não adianta apenas criar empregos, ela defende medidas para qualificar a mão-de-obra existente na cidade. Londrina já tem um padrão de porte médio para grande, então precisa ter uma população que ofereça boa qualidade de mão-de-obra, observa. É preciso preparar a população para enfrentar o trabalho ou então para que tenha seu próprio negócio.
Sobre as questões ambientais, a professora da UEL cita, entre outros problemas que devem ser solucionados rapidamente, a poluição de córregos, a destinação de resíduos sólidos (lixo urbano) e os chamados vazios urbanos, principalmente nas áreas peri-urbanas, entre a área central e a periferia urbana, resultado de gestões urbanas mal conduzidas.
Nem todos os vazios urbanos devem ser simplesmente ocupados, mas devemos pensar também em criar mais espaços de lazer e de cultura para os vários segmentos da população, afirma. Como nos demais problemas, ela defende a participação de entidades civis e instituições de ensino superior para encontrar soluções. O poder público não consegue acompanhar essa proliferação de problemas porque é muita coisa. É fácil dizer que a prefeitura não faz, afirma.Especialista em desenvolvimento urbano considera que pólo de mais de 2 milhões de habitantes determina mudança de conceitos
Arquivo FolhaESPAÇOSPara Yoshia, nem todos os vazios urbanos devem ser simplesmente ocupados, pois se deve pensar também em mais espaços de lazer e de cultura. O Igapó é um exemploArquivo FolhaYoshia: É preciso preparar a população para enfrentar o trabalho





