Londrina quer ser a capital nacional de Tecnologia da Informação. A TI é a principal aposta do Município para tentar resgatar a pujança econômica dos tempos do café. Em outubro do ano passado, a Prefeitura, junto com uma série de entidades e instituições, lançaram a marca Londrina, Cidade Genial. Trata-se de um esforço concentrado para se atingir o objetivo estratégico.
A decisão de ter a TI como prioridade está pautada no amadurecimento dessa atividade econômica, não só na cidade, mas em toda a região nas últimas décadas. De Apucarana a Cornélio Procópio, eixo que compreende o Arranjo Produtivo Local (APL) do setor, existem hoje 1.181 empresas de tecnologia da informação. O número de empregos gerados é estimado em 14 mil.
O engenheiro agrônomo Paulo Sendin acompanha o desenvolvimento da TI na cidade desde a década de 1990, quando as pessoas ainda costumavam chamar esse setor de informática ou de processamento de dados. Em Londrina, a única empresa da área era a Exactus. "Esse movimento começou com a Adetec (Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região), fundada em 1993", recorda Sendin, que desde o início colaborou com a entidade.
Em 1996, a associação trouxe para a cidade o Programa Nacional de Software para Exportação (Softex), do governo federal. A partir daí, segundo o agrônomo, foi possível reunir empresários e técnicos interessados em desenvolver a TI em Londrina. "Houve empreendedores que foram ao exterior conhecer experiências", afirma.
No início dos anos 2000, também na Adetec, nasceu a Plataforma Londrina de Tecnologia da Informação – como parte do Projeto Londrina Tecnópolis, financiado pela estatal Finep - Inovação e Pesquisa e que contava com a cooperação do setor empresarial, instituições de ensino superior e comunidade. "Dentro da associação, havia uma equipe que trabalhava só com isso", recorda.
Como consequência desse trabalho, em 2006 organizou-se o APL de TI de Londrina e Região. "Nessa época já havia várias empresas de TI na cidade", conta.
Sendin lembra que, com a fundação da Adetec, a comunidade abraçou a causa do desenvolvimento tecnológico. "Acil, Sebrae, UEL, Sercomtel, Copel, o seu João Milanez (fundador da Folha de Londrina), todo mundo se juntou com a visão de que Londrina poderia tornar-se referência nessa área", ressalta.
Pensando na evolução do setor desde então, ele declara que a "semente" da TI plantada em Londrina na década de 1990 tornou-se uma "árvore bastante produtiva".
O empresário e professor universitário Lúcio Kamiji também acompanhou de perto esta história. "Comecei a me interessar por essa área ainda em 1978, quando trabalhava no antigo Banestado. Era funcionário do processamento de dados", afirma. Em 1985, Kamiji foi dar aula no primeiro curso de processamento de dados da região, que havia sido criado no Cesulon (atual UniFil) em 1981. Em 1987, montou sua empresa, a Comsystem. "A TI já estava no nosso DNA há 40 anos", declara.
A presença da Sercomtel, que nos anos 80 era uma das empresas com mais tecnologia da região, também foi fundamental para o desenvolvimento do setor. As telecomunicações são uma área muito próxima da TI. Tanto é que há quem chame a atividade de TIC: tecnologia da informação e comunicação.

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