As cidades vêm recebendo grande destaque no planejamento de ações para os próximos anos em todo o mundo. Entidades, instituições e governos vêm concentrando esforços para criar soluções a esses espaços que, em 2030, devem abrigar 80% de toda a população mundial. Melhorias na infraestrutura se fazem necessárias desde já para dar conta do contingente populacional.
  Londrina já começou a sentir os reflexos desse fenômeno. O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o número de habitantes na cidade superou os 500 mil, o que representou um crescimento de 13,33% em uma década. Para Paulo Varela Sendin, consultor da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec), a cidade se caracteriza por ser um polo regional, com atração de pessoas de toda a região.
  Os pontos fortes e fracos da cidade possibilitam traçar um plano de longo prazo para o desenvolvimento sustentável. Com esse mote, programa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) tem o objetivo de enquadrar a cidade como espaço de inovações nas próximas duas décadas.
  A ação ocorre simultaneamente em vários municípios do Brasil por meio do ‘‘Cidades 2030’’, parte da iniciativa Cidades Inovadoras lançada pelo Sistema Fiep na Conferência Internacional das Cidades Inovadoras (Cici2010). O Cidades 2030 é uma ferramenta que visa auxiliar atores locais a apontarem as ações prioritárias para melhorar a qualidade de vida e impulsionar a inovação.
  De acordo com Sendin, que integra o comitê gestor do programa, a situação geográfica da cidade representa outro ponto positivo por ‘‘não estar distante dos grandes centros consumidores’’. Sua estrutura educacional também é destacada pelo consultor. ‘‘Londrina tem um elenco grande de faculdades e estrutura boa de Ciência e Tecnologia com o Iapar, a Embrapa e as próprias universidades’’, comenta.
  No entanto, é nessa mesma área que a cidade tem muito o que melhorar, principalmente no ensino primário e secundário, ele acrescenta. Em comparativos com o restante do País, o sistema de ensino não está muito atrás, mas apresenta lacunas que devem ser analisadas e priorizadas.
  Áreas de interesse
  Com base nesses pontos, sete áreas temáticas foram interpretadas como prioritárias para o desenvolvimento de longo prazo de Londrina por entidades como a Prefeitura, universidades, veículos de comunicação, Sesi, Senai, Sebrae e empresas privadas. Elas deverão nortear as propostas que servirão como sugestões para o planejamento das ações da cidade no programa.
  Educação, Governança, Capital Técnico e Tecnológico, Saúde e Bem-Estar, Transporte e Mobilidade, Segurança, Cultura, Lazer e Turismo são as áreas que ganharam relevância pelas entidades. Para o planejamento das próximas duas décadas, Londrina deve, nos anos subsequentes, ganhar atenção de especialistas em cada uma dessas áreas com discussões e execução de propostas para o futuro próximo.
  O Caderno Londrina 2030, contendo as propostas, será divulgado durante a Conferência Internacional Cidades Inovadoras, que será realizada em Curitiba, em maio de 2011. Depois, fica a cargo das entidades executoras de cada uma das áreas temáticas guiar suas ações nas direções apontadas pelo caderno.

Potencial técnico e tecnológico
  Rosi Sabino, coordenadora executiva da Adetec e integrante do comitê gestor do Londrina 2030, destaca que a área temática que vem ganhando mais destaque em Londrina com repercussões nacionais é o desenvolvimento de Capital Técnico e Tecnológico. ‘‘A questão se traduz nas nossas empresas inovadoras, nas entidades de ensino superior e de pesquisa’’, explica.
  Chegar em 2030 mais inovadora é uma meta que a cidade pode alcançar, desde que haja engajamento e comprometimento, Rosi pontua. ‘‘Londrina possui vários ingredientes de uma cidade inovadora, além de ser uma cidade jovem. O necessário é transformar esses ingredientes, nas devidas proporções, em resultados concretos.’’
  Por esse motivo, o tema Governança ganha grandes proporções nas discussões sobre o futuro da cidade. ‘‘Londrina é referência na proposta de diversos projetos considerados de vanguarda nacional como o Parque Tecnológico, as Incubadoras Tecnológicas, os Arranjos Produtivos Locais, entre outras. No entanto, é preciso um papel fundamentado na Governança para que esses projetos tenham início, meio e conclusão’’, finaliza.

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