Leonor dos Santos Zem, mais conhecida como Lola, começou no ofício ajudando a família, aos 13 anos. Ela lembra que os pais compraram, com dificuldade, uma banca na Praça Tiradentes. ''Naquele tempo os jornais não vinham prontos como hoje. A gente tinha que montá-los manualmente. Ficávamos com as mãos e as roupas sujas de tinta'', lembra.
Para abrir o negócio não havia muitas formalidades. Bastava comprar uma banca e colocá-la em funcionamento em qualquer ponto da cidade sem ter que pedir autorização a ninguém. ''Ainda assim, os fiscais da prefeitura sempre vinham nos incomodar, sem critério algum. Tínhamos que esconder os cigarros e doces que vendíamos. Era uma perseguição, só porque éramos pobres.''
No final da década de 1950, o prefeito de Curitiba Iberê de Matos (lembrado com entusiasmo por Lola como o primeiro prefeito do ''povão'') concedeu alvará para os jornaleiros. ''Todos ganharam uma carteirinha que regulamentava a profissão. Aí os fiscais não podiam mais nos perturbar.''
Depois dos pais, a banca passou para seus irmãos mais velhos, até ela assumir o negócio. Hoje com 73 anos, Lola contabiliza 60 anos na profissão. É a jornaleira em atividade há mais tempo em Curitiba.
Foi praticamente neste trabalho em que ela constituiu e criou sua família. Lá ela conheceu seu marido, Zildo Gasparim Zem, que inicialmente era um de seus clientes. Depois de casados, passaram a trabalhar juntos, por 50 anos, até que ele morreu vítima de um derrame. Dele, Lola guarda na banca o recorte de um jornal com sua foto estampada, da época em que jogava futebol no Bloco Esportivo Morgenau.
Tem orgulho de dizer que pagou o estudo dos filhos nos melhores colégios. ''Meus filhos todos eu criei na banca. Na volta do colégio eles passavam no trabalho para me ver e acabavam dormindo atrás do balcão de tão cansados.'' Até hoje eles a visitam com frequência. Um deles abre a banca todos os dias. ''Já os netos, que são adolescentes, só vêm aqui de passagem. O computador e a internet mudou muito o comportamento dos jovens de hoje'', constata.
Mesmo com todo o tempo de profissão, Lola é categórica quando afirma que não quer se aposentar: ''Deus me livre! Eu ficaria doida se ficasse em casa. Eu gosto é de ter contato com as pessoas, principalmente com os jovens. Assim eu me sinto jovem também''.

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