Lojistas reclamam de condições de centro comercial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Lojistas do Centro Comercial Cajuru, em Curitiba, estão tendo que procurar outros pontos para instalar seus estabelecimentos. Muitos já deixaram o local por falta de manutenção e segurança que eram realizadas pela administradora do condomínio. Os comerciantes relataram à reportagem que o Banco Bradesco, dono da área, deixou de cobrar os valores de condomínio durante um ano e, agora, no final de junho, realizou a cobrança em parcela única.
Além disso, o valor do condomínio foi reajustado excessivamente. Eles acreditam que toda esta situação seja uma forma de pressão para que os lojistas desocupem o local e o Bradesco possa vender o centro comercial para a realização de outra atividade.
Os comerciantes receberam informações extra-oficiais de que o local seria vendido para o Colégio Bom Jesus, que construiria um estacionamento na área. O colégio esclareceu que a informação não procede.
Por conta de todos estes problemas, os lojistas pretendem entrar com uma ação na Justiça para questionar a cobrança do condomínio em parcela única e o aumento da taxa, além da falta dos serviços de manutenção e segurança. O assunto ainda está sendo discutido extrajudicialmente. O Bradesco limitou-se a informar que ''o banco estabelece valores estritamente de acordo com os custos de manutenção''. Ainda segundo o banco, o processo de venda do centro comercial será feito por licitação.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o dono do Pet Shop São Francisco, Vilmar dos Santos, não pretende deixar o ponto comercial, por enquanto. A esposa dele tem um salão de beleza no local. ''Tem lojistas que investiram muito aqui'', disse.
A proprietária da loja de produtos naturais Cravo e Canela, Regina Verdes, disse que os lojistas não conseguem contato com a atual administradora do condomínio. ''Não temos mais segurança e manutenção'', contou. Segundo ela, os comerciantes também tiveram cobranças absurdas de condomínio.
Por conta disso tudo, Regina disse que o movimento de clientes caiu. Antes de a nova administradora assumir, os lojistas contavam com cinco seguranças. Segundo ela, o condomínio dos últimos 12 meses foi cobrado todo de uma única vez no final de junho.
A dona do restaurante Lozano, Nacir Lozano, que está há 14 anos no centro comercial, disse que chegou a ficar até sem água. Por falta de segurança, o encanamento de gás do restaurante foi roubado. ''Fiquei uma semana com o esgoto voltando pela pia. Não podemos usar o estacionamento porque foi fechado'', disse.
Nacir gastou R$ 30 mil com a reforma do restaurante. ''Só saio daqui se for indenizada'', declarou. Ela contou que o valor do condomínio passou de R$ 280,00 para R$ 1.500,00. ''Estamos trabalhando sob pressão'', desabafou. Nacir contou ainda que, de manhã, precisa manter as portas do estabelecimento fechadas para não entrar ratos.
Hoje, o centro comercial conta com farmácia, lan house, pet shop, salão de beleza, lotérica, academia e escritórios comerciais.


