Lojas de miudezas esquentam comércio
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Mário CésarA comerciante Janete: 7 mil unidades à disposição em sua loja Embora a maioria dos comerciantes de Londrina que trabalha com R$ 1,99 considere o ramo difícil, novas lojas continuam proliferando fortemente pela cidade, mostrando que o negócio, na verdade, é bom. E, apesar da margem de lucro ser pequena, a vantagem de se trabalhar com este tipo de comércio é o fato de nunca faltar dinheiro no caixa, já que as vendas são sempre à vista.
Sem querer revelar o faturamento da loja que gerencia, Marley Reis está satisfeita com as vendas. Ela toma conta da unidade aberta por sua filha em outubro passado e diz que, para não tomar prejuízo, os comerciantes do ramo precisam tomar cuidados extras. Como o faturamento é pequeno, o aluguel do ponto deve ser barato. O ideal é trabalhar com poucos funcionários para não ter muitos gastos com salários.
Segundo Marley, na hora de ir ao atacadista o lojista também precisa estar atento para não comprar produtos com defeitos. Neste ramo é difícil conseguir trocar mercadorias, afirma. Para atrair os consumidores, ela diz que a loja precisa ter sempre novidades. Foi justamente para atender a freguesia que passamos a vender alguns produtos mais caros como capas dechuva, que custam R$ 6,99. Chega uma hora que o consumidor já tem tudo que precisa do segmento de R$ 1,99 e procura produtos mais sofisticados, diz ela.
TrocoA proprietária de uma outra loja do centro de Londrina, Janete Venâncio, conta que o mais difícil no ramo é arrumar troco. Percorro vários bancos da cidade mas só consigo trocar no máximo R$ 3 em moedas de R$ 0,01. A saída é tentar arrumar as moedas nos bares e pastelarias do Calçadão, diz ela. Também enfrentamos o problema dos trombadinhas. É só se distrair para eles roubarem algum produto.
Embora 90% de sua loja seja composto de produtos de R$ 1,99, Janete também vende artigos mais caros como uma agenda de R$ 15 e o famoso Tamagotchi, um chaveiro virtual que custa R$ 20. A comerciante calcula que 150 pessoas entrem diariamente na loja. Destas, cerca de 90 compram alguma coisa, afirma Janete, que diz lucrar entre R$ 0,40 e R$ 0,50 por unidade. Com 7 mil itens diferentes, ela diz que as mercadorias de maior saída são os artigos para presentes, utilidades domésticas e ferramentas.


