Entre as histórias que viraram lendas urbanas e se mantiveram vivas no imaginário popular ao longo de anos, a de uma mulher loira que assombrava motoristas de taxi durante a noite, até virou tema de filme. Produzido em 1989, ''A Loira Fantasma'', da diretora Fernanda Morini, resgatou o mistério que chegou a ganhar as páginas dos jornais em 1975. O caso também foi registrado pela polícia. Mas quando a diretora realizou a pesquisa para o filme, foi informada que o boletim de ocorrência havia desaparecido.
Diz a lenda que um taxista foi parado por uma mulher loira e a passageira pediu que ele a levasse até um cemitério. Durante o trajeto, a mulher sumiu dentro do carro. Assustado, o taxista chamou a polícia. Então a loira reapareceu tentando matá-lo. A polícia teria atirado na agressora e esta teria desaparecido em seguida. O caso até teve exame de balística atestando que a bala analisada teria passado por um corpo, mas ninguém soube explicar quem teria sido atingido. ''Para nós não interessava ir a fundo, interessava o mito'', explica Fernanda Morini. ''Cheguei à conclusão que poderia dar de frente com um crime e com coisas que não tinham sido faladas até então'', completa a diretora.
Na época a história se difundiu como um caso de assombração. Pessoas começaram a dizer que tinham visto a loira e taxistas já não paravam à noite para fazer corrida se a passageira tivesse cabelos claros. ''Mais de 10 anos depois ainda havia consequências disso aí. É a principal lenda urbana de Curitiba'', afirma Fernanda.
Para a diretora de ''A Loira Fantasma'', esse tipo de imaginário popular vem perdendo espaço. ''Hoje em dia vão apurar os fatos. Está indo para um lado muito concreto'', observa. Fernanda defende que é importante valorizar as lendas locais. ''São fatos que fizeram parte da vida e da história dos antepassados. Se você não tem a sua fantasia, vai buscar a dos outros porque essa necessidade não está sendo atendida'', alerta. (D.R.)

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