LÓGICA E ESTRATÉGIA - Alunos praticam Sudoku e estimulam raciocínio
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sábado, 16 de setembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Na sala de aula, em uma manhã de quarta-feira, o sinal anunciando a hora do intervalo tocou e os alunos de uma das turmas da 4 série da Escola Municipal Nara Manella, no Jardim Semíramis (Zona Norte), não saíram correndo como de costume. Eles estavam distraídos demais, resolvendo o desafio proposto poucos minutos antes pelo professor. Desde o início do ano, duas ou três vezes por semana, o grupo de estudantes faz uma pausa para jogar Sudoku, um jogo de lógica em que é preciso completar com algarismos de 1 a 9 uma tabela dividida em nove regiões, os grids. A regra básica é não repetir os números nas filas e nas colunas de cada uma dessas regiões.
Apesar da cara de brincadeira, o jogo consegue trabalhar a concentração e apurar a capacidade de raciocínio de quem faz. Alguns professores descobriram as vantagens do passatempo - que virou febre nos países asiáticos nos últimos anos -, e em várias escolas o Sudoku vem sendo adotado em sala de aula.
No caso dos alunos da Nara Manella, quem apresentou o jogo à turma foi o professor Leodmar Romam de Oliveira, que por sua vez conheceu o jogo nas férias de julho do ano passado, através de uma amiga. ''Sempre gostei muito de palavras-cruzadas, e desde que conheci o Sudoku, virou mania. Procuro comprar livros, destes que trazem até mil desafios, para não acabar muito rapidamente. Em uma sentada eu faço umas cinco ou seis páginas.'' O professor explica que com o tempo o processo de resolução vai ficando mais dinâmico. ''A gente bate o olho e já visualiza as hipóteses.''
Oliveira diz que na prática, o resultado é um olhar cada vez mais apurado, que pode ser percebido até na hora de escolher um produto na prateleira do supermercado. ''É como se o pensamento passasse a ser melhor articulado'', diz. Ele lembra ainda que entre os seus alunos havia crianças com dificuldades para entender operações básicas, e que hoje compreendem com muito mais facilidade o conteúdo de todas as disciplinas.
Juliana Karina Milhorini Fazolo, de 10 anos, define à sua maneira os benefícios do jogo. ''Eu gosto porque é meio difícil, força a gente a pensar mais e ficar melhor em tudo.'' Já a colega Lillian Maria Ribeiro, de 9, não gosta muito de matemática, mas de Sudoku sim. Além dos desafios propostos pelo professor em sala de aula, a garota ainda treina nos jornais que o pai compra (O Estado de São Paulo e Lance! estão entre os veículos de circulação nacional que publicam o jogo).
O professor de matemática Ricardo Sartori também é adepto do jogo e revela que uma grande vantagem é o seu poder de controlar a ansiedade dos alunos. ''Quando pego uma turma mais agitada uso o Sudoku para desacelerá-los. É uma forma de conseguirem se concentrar'', diz o professor, que leciona no Colégio Universitário, em Londrina, e no Colégio Estadual Francisco Villanueva, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Sartori revela que sempre usou jogos de desafio como forma de estimular o raciocínio lógico puro e a habilidade dos alunos.
Para o diretor administrativo do Colégio Canadá, professor Edmilson Vicente Leite, seria de se esperar que um jogo de lógica despertasse o interesse de poucos alunos, porém tornou-se popular em um curto período de tempo. ''Embora envolva números, o Sudoku não exige conhecimento matemático. Ele aumenta a capacidade de concentração e raciocínio para situações-problemas'', observa.
Leite conta que há tempos vem inserindo em suas aulas exercícios de raciocínio e lógica matemática, como por exemplo o ''elo'' e o ''cubo mágico'', entre outros. Mas a partir desse ano, com a curiosidade de alunos que descobriram o Sudoku na internet, o jogo entrou nas salas do ensino médio e em algumas turmas do ensino fundamental. ''Paralelamente, todos os alunos têm aulas de xadrez regularmente, agilizando o processo de ensino-aprendizagem.''


