Lixo é problema longe de solução
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sábado, 05 de setembro de 2009
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Levando em conta a estimativa do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de que cada paranaense gera 700 gramas de lixo por dia, mais de sete mil toneladas de resíduos sólidos são produzidas diariamente no Estado. A imensa maioria dessa verdadeira montanha de restos vai parar em lixões a céu aberto espalhados por mais de 200 municípios paranaenses; prática que contraria uma lei estadual - a de nº 12.493 - que vigora desde 1999 e expressa que é proibida essa forma de destinação de lixo.
A mesma lei diz que cada um dos 399 municípios do Estado deve reservar um espaço para acomodar de maneira adequada, ou seja, em aterros sanitários, os resíduos produzidos em seus domínios. Porém, a legislação estadual está longe de ser cumprida. Apenas 149 cidades paranaenses têm aterros sanitários licenciados pelo IAP. Pior: somente 16 fazem a compostagem do lixo.
Encontrar algum município que não enfrente problemas relacionados a essa questão é difícil. Em Londrina, não existe aterro sanitário, mas um aterro controlado que funcionou como lixão a céu aberto entre 1975 e 2001, situado a apenas 10 km do Centro da cidade e a menos de dois quilômetros da cabeceira do aeroporto, na Zona Leste. De acordo com Gilmar Domingues Pereira, assessor técnico de fiscalização do aterro, que assumiu o cargo recentemente, a situação encontrada por ele no local foi de desleixo. Vinte mil metros quadrados de lixo estavam descobertos e a montanha sem compactação já passava de 15 metros de altura.
Uma das primeiras atitudes de Pereira foi a não renovação do contrato com a empresa que fazia a manutenção do aterro. Um novo contrato emergencial, ao custo de R$ 113 mil por mês, foi feito com a empresa gaúcha Construsinos e a situação melhorou. O lixo foi compactado, os drenos de chorume, antes feitos com pneus, foram reconstruídos com pedra rachão - material mais adequado - e drenos de gases foram instalados, mas a situação ainda está longe de ser a ideal.
A pior nota fica para a grande quantidade de material não orgânico, como embalagens plásticas, que poderia ser reciclado, presente em meio às 280 toneladas de lixo que chegam todos os dias ao aterro. Uma prova de que a coleta seletiva da cidade, outrora propagada como a melhor do Brasil, não está funcionando muito bem.
Na última semana, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) contratou, por R$ 290 mil, a Fundação de Apoio da Universidade Estadual de Londrina (Fauel) para projetar um novo aterro, que deve funcionar no distrito rural de Maravilha (Zona Sul).
A vizinha de Londrina, Ibiporã (Norte), também enfrenta problemas. O aterro controlado está exaurido, de acordo com o diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Nadir Bigati. Um novo aterro ainda está em fase de projeto.
Em Maringá (Noroeste), a situação é ainda pior. Uma sentença judicial determinou que a prefeitura deixe de utilizar o aterro controlado da cidade, que também funciona onde antes era um antigo lixão. A solução encontrada pelo poder público foi um contrato com uma empresa que opera um aterro particular na vizinha Sarandi (7 km a leste de Maringá). No entanto, a população de Sarandi protestou, a Prefeitura de Maringá recuou e agora está abrindo licitação para que alguma empresa particular assuma a coleta e a destinação do lixo da cidade.
Em Bandeirantes (Norte Pioneiro), o lixo coletado ainda é depositado em um lixão a céu aberto e a coleta seletiva de materiais recicláveis, feita por meio de uma associação de catadores, funciona há menos de 30 dias. Porém, ainda há garimpeiros em cima da montanha de lixo.
De acordo com o professor de Matologia e Ecologia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), Robinson Osipe, que trabalha no projeto do aterro sanitário da cidade, já existe uma área reservada no município há dois anos para abrigar o aterro, mas faltam recursos para a implantação. No entanto, a prefeitura está trabalhando em busca de recursos estaduais e federais para que possamos aplicar o projeto, comentou Osipe.


