O que pode ser feito com 60 garrafas PET e 50 caixinhas de leite longa vida vazias? Que tal um aquecedor de água solar que pode gerar uma economia de até 40% na conta de luz? Foi isso que moradores da Vila das Torres aprenderam a fazer no último sábado.
  O encanador e eletricista Acácio de Oliveira Neto, morador da vila, quis aprender a fazer o equipamento que já tem em casa, mas feito por outros. Para ele, o aquecedor solar feito com material reutilizado é uma boa idéia porque ajuda a tirar o lixo das ruas, evita novos desmatamentos para construir usinas de energia e dá uma folguinha para o bolso no final de mês. ‘‘Sempre que posso faço essas oficinas. Já fiz uma de aproveitamento da água da chuva e agora ganho um dinheirinho instalando o mecanismo na casa das pessoas. Já instalei quatro. Agora quero fazer o mesmo com os aquecedores. Acho que vou ser mais solicitado’’, espera.
  Para o coordenador geral da Agenda 21 – movimento mundial fundado na Eco 92 para diagnosticar e oferecer programas para comunidades carentes – na Vila das Torres, Marcos Eriberto dos Santos a idéia é que os participantes do treinamento sejam multiplicadores na comunidade. ‘‘Acredito muito que depois do curso muitas pessoas daqui vão fazer o equipamento para suas casas e depois ensinar e ajudar os vizinhos a fazer os seus’’, conta.
  Santos, nascido na vila, frisa que é importante que as garrafas PET (de 2 litros) e as caixinhas de leite (longa vida de 1 litro) sejam coletadas e não compradas. ‘‘Agregar a proteção do meio ambiente com a economia dessas famílias já seriam dois excelentes motivos para ensinar a técnica a essas pessoas. Mas acredito que também possam surgir cooperativas que venham a gerar renda e ensinar uma profissão para outros moradores’’.
  Zuleica Maria da Silva não mora na vila, mas soube do curso e veio de São José dos Pinhais para aprender a fazer o coletor solar. Ela quer juntar o material e construir um para a própria casa e também recebeu orientação de aprender ‘‘bem direitinho’’ para ensinar os vizinhos. A servente conta que não tem nenhuma experiência no assunto, mas vai tentar até conseguir construir o seu sozinha.
  A iniciativa de fazer o curso de capacitação na Vila das Torres surgiu após a solicitação da própria comunidade. De acordo com a assistente social da promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público (MP), Izabel Benvenutti, o pedido veio no Observatório da Habitação, que promove reuniões mensais com entidades, organizações não-governamentais (ONGs) e membros das comunidades para discutir a realidade da região e definir trabalhos e atividades.
  Ezequiel Bibiano, presidente do Centro de Apoio à Integração Comunitária da Vila das Torres (Caico), conta que a comunidade pediu a oficina porque quer trabalhar com economia solidária e geração de trabalho e renda. ‘‘Nossa luta é para combater o assistencialismo. O aquecedor solar acaba gerando renda mesmo que ninguém tome a produção como profissão. Apenas o fato de haver uma economia na conta de luz dessas pessoas já significa que vai sobrar mais um dinheirinho para outras despesas importantes’’, comenta.
  ‘‘Essa é uma ação integrada do Ministério Público, a secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), alunos da Pontifícia Universidade Católica e as lideranças da comunidade. O legal do aquecedor solar produzido com materiais recicláveis é que aproveitamos bem a idéia dos três ‘R’: reduza (no caso, o consumo de energia elétrica), reutilize (os materiais) e recicle’’, conta Benvenutti.

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