Simone GirotoA estação de esgoto está capacitada para o tratamento A mais nova mania de Campo Mourão é trocar lixo por Vale Real. O papel vale dinheiro para se comprar na Feira Noturna do Produtor, em seis locais. A idéia começou em dois conjuntos habitacionais, conquistou 38 bairros em dois meses e se transformou numa verdadeira vedete da prefeitura. Com o Programa Lixo é Real, o município prolonga a vida do aterro sanitário, melhora as condições de vida dos moradores e ainda aumenta o rendimento dos produtores.
‘‘Todo mundo sai ganhando’’, diz o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, vice-prefeito Márcio Nunes. Nas feiras, por exemplo, os primeiros vales foram suficientes para aumentar a venda semanal em cerca de 1 tonelada de frutas, verduras e legumes. A prefeitura ganha ainda mais: o lixo vendido não precisa ser recolhido, o que significa economia.
‘‘Isso sem contar o trabalho de educação ambiental que acaba sendo feito’’, completa Nunes. O receio de que os moradores pudessem relutar foi superado logo no primeiro dia. Desde então, a fila de participantes chega a dobrar a esquina em todos os bairros. ‘‘Não perdemos mais nada no lixo’’, frisa a doméstica Teresa Leal de Souza, que vendeu mais de 300 quilos de lixo e arrecadou R$ 15,00 na coleta realizada no Jardim Damferi. ‘‘Sou a maior lixeira do bairro’’, diz.
Teresa tem sete filhos e conta que o dinheiro vai ajudar muito a família. A prefeitura espera que, com a transformação, diminuam até mesmo os atendimentos nos postinhos de saúde. O Lixo é Real é desenvolvido em parceria com o Provopar. Cada quilo de lixo vale R$ 0,05. O Provopar paga pelo lixo, mas também lucra, uma vez que o material arrecadado é revendido para reciclagem.
LixãoUm outro programa lançado pela prefeitura no começo do ano, o Viva Vila, pretende estabelecer condições mais dignas de trabalho aos ‘‘garimpeiros’’ do lixão da Vila Guarujá. A primeira medida adotada foi cadastrar as pessoas que sobrevivem da catação de lixo no local. Depois, um regulamento determinou um novo horário de trabalho. O lixo só pode ser revirado das 7 às 14 horas. Só depois os tratores fazem o aterramento.
Uma outra etapa do programa distribuiu equipamentos de proteção e segurança aos garimpeiros, como luvas, máscaras e botas. A presença de crianças, antes comum no local, foi proibida. Os menores brincavam e chegavam a dormir no lixo. Ao mesmo tempo, um grupo de adolescentes trocou a garimpagem por cursos sobre plantio de árvores, folhagens e flores. As aulas do Programa Jovem Viveirista acontecem no Horto Municipal, ao lado do lixão. Cada aluno recebe alimentação diária e uma cesta básica por mês.

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