Livro mostra burocracia do governo Vargas
No mês dos 50 anos da morte de Getúlio Vargas, a professora universitária Dalva Rausch, da Universidade Estadual de Londrina, está lançando a obra Vargas - A Burocracia de Estado. O livro trata da estrutura burocrática de Estado montada por Vargas e do nacionalismo como proposta de governo do então presidente. Em cinco anos de pesquisa, ela elaborou o texto como tese de doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp), no interior paulista, sob orientação de Octavio Ianni. A obras está à venda na Livraria Arles, na Área Central da cidade.
Dalva Rausch destaca que Getúlio Vargas, filho político do ex-governador do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilho, era ''positivista e pleiteava o chefe do Executivo forte e desprezando o Congresso.'' ''As decisões, porém, deveriam beneficiar o coletivo. É o homem público desprovido de vida privada'', explica. Com Vargas, o País ganhou a unidade de Federação, com interventores desalojando os antigos coronéis nos Estados. Também criou o Departamento Administrativo de Serviço Público (Dasf), embrião da burocracia de Estado no Brasil.
Segundo a professora, outra contribuição importante de Vargas foi a criação de mecanismos de arrecadação, que resultou na instituição do Banco Nacional de Desenvovimento Econômico e Social (BNDES). A pressão contra o Governo ficou realmente forte quando o presidente proibiu a importação de peças automotivas, com o intuito de incentivar a indústria local. ''Esta foi a principal razão para a burguesia comercial ter encurralado o presidente'', avalia.
A obra aborda também o tema do nacionalismo. Dalva ressalta que Getúlio Vargas nunca saiu do País e que seu anti-americanismo tinha argumentação sólida. Um exemplo é a ''desculpa'' empregada pelo governo norte-americano para impedir, em represália a Vargas, a vinda de montadoras para o Brasil: o clima tropical inviabilizaria a montagem de motores de combustão no País.
Getúlio Vargas enfrentou também a oposição da maior parte da imprensa nacional. Apesar disso, a população o apoiava, principalmente porque na época o Brasil tinha ''o melhor e maior poder aquisitivo do salário mínimo.'' ''A população talvez seja hoje mais consciente dos benefícios da Era Vargas do que na época em que ocorreram'', conclui Dalva.F.R.F.





