Livro discute importância do videogame na infância
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domingo, 03 de dezembro de 2006
Diego Assis<br> Agência Estado 
Aos 48 anos de idade, Gerard Jones é o pai que toda criança ou adolescente gostaria de ter: em vez de proibir o videogame em casa, o que ele quer é incentivar a meninada a jogar mais. Autor do livro ''Brincando de Matar Monstros: Por Que as Crianças Precisam de Fantasia, Videogames e Violência de Faz-de-conta'', Jones sustenta que o uso do videogame pode ajudá-las a lidar melhor com as pressões do dia-a-dia, num ''ambiente seguro e controlado''.
E ainda que, se existe algum problema com os games, esse problema é dos adultos. ''Acho que, às vezes, eles se esquecem do que é ser criança. Eles vêem as crianças como incapazes de distinguir a fantasia da realidade, e tinham de fazer isso o tempo todo durante as suas próprias infâncias'', afirmou.
A tese de Jones baseia-se em pesquisas, entrevistas e experiências pessoais que ele passou a reunir no final dos anos 90, quando os Estados Unidos presenciaram uma série de ''tiroteios estranhos nas escolas'', entre eles o famoso episódio de Columbine, em 1999, em que dois adolescentes mataram 12 estudantes e um professor na escola. Na época, levantou-se a hipótese de que jogos como ''Doom'', filmes de ação e letras de ''gangsta rap'' poderiam incentivar jovens a cometer crimes. ''Parecia que todos precisavam concordar que toda a violência da mídia era uma coisa ruim'', comenta.
Em busca de um meio-termo entre a histeria e a permissividade completa, Jones tentou mergulhar no universo das crianças para entender o porquê do fascínio delas por um certo grau de violência. ''Crianças são pequenas, impotentes e medrosas; isso é uma condição da infância. E muito cedo, seja pela TV ou pela polícia, elas aprendem a idéia de que armas são algo que nos dá mais poder e pode proteger-nos. O que minha pesquisa mostra é que as crianças vão transformar qualquer coisa em um objeto que imite uma arma, seja um revólver, uma lança ou um arco e flecha'', concluiu o autor, depois de conversas com psicólogos e de observar a paixão do próprio filho pelo seriado ''Power Rangers''.
''Os outros pais ficavam nervosos com isso. Alguns não viam problema quando seus filhos brincavam com espadas e batalhas medievais, mas tudo que se parecesse com uma arma de fogo era proibido.'', disse.
Para ele, a onda politicamente correta que pressiona as crianças a serem bem-comportadas e a usarem sempre o diálogo no lugar da força pode acabar surtindo efeito reverso. ''Elas ouvem adultos falando constantemente de violência, de guerras, de tráfico de drogas. E pensam: ''Lá fora há uma violência, mas eu, como criança, não tenho permissão de pensar ou falar sobre ela'','' avalia. ''O que as crianças realmente querem é um alívio dessa tensão, um modo de explorá-la numa espécie de mundo de fantasia''.


