Muito envolvente, a Bruxa Nane aproveita o momento lúdico da Hora do Conto, que acontece na Casa Encantada do Bosque do Alemão, para pedir as crianças que entreguem suas mamadeiras e chupetas. Um caldeirão com dezenas dos objetos é testemunha das "doações" recebidas. E de que a colaboração da bruxinha foi fundamental para os pais conduzirem os filhos a deixarem esses hábitos adquiridos quando eram bebês. O argumento da personagem se mostra infalível para convecer os pequenos a se livrarem do apego a mamadeira e a chupeta.
"Para não ficar cheia de rugas e com o nariz grande eu preciso de um creme feito com baba de criança que fica na chupeta e na mamadeira. Mas ultimamente, ninguém me entregou mamadeiras e chupetas, então corro sério risco de ficar feia e má de novo. Por favor, quem ainda tiver em casa traga para mim. Eu preciso mais do que o Papai Noel", implora a Bruxa Nane, enquanto a criançada se compadece da situação. "Se eu usar o creme e meu nariz continuar a crescer é porque a criança não deixou a chupeta. Vou até a casa dela ver isso de perto. Sei onde cada um de vocês mora", diz, apontando para a platéia mirim.
"Sabemos que surte efeito, porque temos o retorno dos pais e das crianças. Nesse ritual, o melhor é que a decisão em acabar com a dependência passa a ser da criança", destaca a Bruxa Nane, personagem criado, há quatro anos, pela educadora Adelfe Silva. "A gente não pode esquecer que a criança deposita segurança na mamadeira e na chupeta, é como se fosse um prolongamento dela. Não dá para retirar de uma hora para outra, é preciso respeitar o tempo da criança se desfazer desses hábitos. E a criança é sincera", ensina.
E é mesmo. A pequena Helena Medeiros Pires, 5 anos, entregou três mamadeiras e duas chupetas para o caldeirão da Casa Encantada, quando tinha dois anos e meio. "Eu gostava muito da chupeta, mas já esqueci porque tenho agora cinco anos. A mamãe disse que não preciso mais da chupeta e a bruxa também queria para fazer um creme de beleza", disse a menina, que já se prepara para mais um desprendimento. Em breve, levará para o caldeirão sua coleção de copinhos com bico. "Já tomo água e suco no copo de vidro", contou Helena.
Segundo Adelfe Silva, a bruxa também pergunta para criançada se tem outros costumes como roer unha e chupar o dedo. "Aqueles que têm esses hábitos, a gente pinta a unha com o desenho da bruxa. A contação de história tem sucesso nesse processo porque a criança mergulha no mundo da fantasia e confia na Bruxa", conta ela, que também dá um "puxão de orelha" nos pais. "Na Hora do Conto, a bruxa deixa claro que não gosta de pai e mãe que não ouvem os filhos, que não dão atenção", acrescenta Adelfe, informando que o caldeirão já acumulou quase 600 mamadeiras, num semestre.
"Teve um garotinho de Taubaté (SP) que estava em Curitiba a turismo com os pais e veio aqui no Bosque Alemão. A mãe contou que ele não conseguia deixar a mamadeira e na Hora do Conto descrevi a situação dele, que ficou impressionado. Meses depois, chegou um sedex com as mamadeiras do garotinho e um bilhete contando que ele insistiu em mandar tudinho para o caldeirão da bruxa", conta Adelfe Silva, dizendo que as crianças já deixaram na Casa Encantada outros objetos de apego como cobertores, bichinhos de pelúcia e brinquedos.

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