Livrarias também querem mesas nas calçadas
O Sindicato do Comércio Varejista de Livros e Similares do Estado do Paraná (Sindilivrarias) aguarda que a Câmara Municipal de Curitiba aprove a proposta das livrarias terem o mesmo direito de instalar mesas, bancos e cadeiras nas calçadas já concedido a alguns bares e lanchonetes da cidade.
O objetivo é que se autorize por lei que as livrarias possam utilizar as calçadas em frente aos estabelecimento e nos horários de funcionamento, possibilitando o atendimento a uma maior clientela e divulgação do hábito da leitura de livros, jornais e revistas.
Segundo o presidente do Sindilivrarias, Juraci Moreira, o interesse na difusão do livro atende à função social das livrarias e à responsabilidade do sindicato em facilitar o acesso das pessoas à leitura. ''Fiz esse requerimento à Câmara, em maio desse ano, uma idéia que foi bem aceita pelos vereadores. A cada dia, novos bares ganham esse direito, embora nosso produto seja muito mais saudável do que cerveja e bebida alcoólica. Não tem comparação'', pondera Moreira.
A idéia é despertar nos traseuntes nem que seja a curiosidade de conferir um lançamento ou mesmo o motivo da aglomeração de pessoas no local. ''Será um chamariz, um atrativo visual para o hábito da leitura. Vai servir de espelho, para provocar o interesse e persuadir o cliente a entrar na livraria com o filho, com a família'', explica o livreiro, que é dono, há 30 anos, da J.M. Livraria Jurídica e, há 12, de uma editora.
''Vai embelezar mais a cidade. Pensamos em colocar um toldo para deixar o cliente mais confortável, diante de possíveis mudanças no tempo, colocar flores no local'', disse Moreira, informando que o Brasil possui um dos índices mais baixos de leitura do mundo. Um brasileiro de classe média lê menos de dois livros, por ano, enquanto que em Portugal a leitura per capita é de 9 livros, na Argentina 13 livros e na França, 22.
Estimular hábito de leitura
Para Aramis Chain, dono da famosa Livraria do Chain, será mais uma tentativa de estimular o hábito da leitura. ''É bom que os livros possam ser colocados nas calçadas, onde até comida de cachorro é permitido. Mas as pessoas preferem sair com seus cachorros do que com um livro embaixo do braço, preferem conversar com os bichos ao invés dos livros. Pode ser que alguém que esteja passeando com o cão tropece com as mesas nas ruas e desperte o interesse em conhecer um livro'', critica o livreiro.
Existiam cerca de 20 livrarias na década de 1960, segundo as contas de Chain, e agora restam apenas duas - com exceção das que comercializam livros lidos e fora as de shoppings e que disputam a venda de livros com CDs, papelaria e outros produtos. ''As casas de bebida e cigarro têm prioridade sobre o livro no Brasil. O povo compra vinho que vai para a urina, não compra livro que vai para o cérebro. O livro é sagrado. Tem o potencial da transformação do povo. Não há dúvida que onde puder expor o livro é fundamental. O Paraná já teve 27 livrarias, sobraram oito. As pessoas não compram mais livros'', lamenta Chain. (F.G.)





