Gilson AbreuSegundo Maria Estela do Amaral Gurgel, da Livraria Lilith, Virgínia Wolff e Simone de Beauvoir são escritoras campeãs de vendasEnquanto algumas escondem o rosto e os pensamentos debaixo dos obscuros véus, em outros cantos do mundo, outras travam uma luta diária em favor da igualdade, provando que nem todas são reprimidas. São mulheres que estudam o universo feminino, avaliam seus papéis na sociedade atual e trocam idéias.
Em cidades como Colônia, na Alemanha, existem no mínimo três livrarias especializadas em literatura feminina e feminista. No Brasil há apenas uma, localizada em Curitiba, segundo informou Maria Estela do Amaral Gurgel, mãe da proprietária da livraria Lilith, na Galeria Schaffer, no centro de Curitiba.
Além de acompanhar e apoiar a revolução feminista brasileira das últimas décadas, Maria Estela, como simpatizante do feminismo, tem certeza de que este movimento está crescendo e se tornando cada vez mais maduro.
‘‘São mulheres muito preparadas que estão militando’’, diz ela. Como exemplo, ela cita a própria filha, Bebeti Gurgel, 42 anos, que mora atualmente na Alemanha, onde realiza um trabalho de organização de seis mil títulos sobre estudos femininos na biblioteca da Universidade de Colônia. ‘‘A atual proposta feminista é interessante e inteligente’’, afirma.
A livraria atende a um público diário de 30 pessoas, que se divide entre 2.500 títulos, a grande maioria escrito por mulheres. Entre as autoras mais procuradas estão as imbatíveis Simone de Beauvoir e Virgínia Woolf, ao lado da brasileira Rose Marie Muraro, com seu novo título ‘‘Sexualidade da Mulher Brasileira.’’
No entra e sai diário da livraria predominam mulheres com mais de 40 anos, elitizadas e que buscam bons livros, embora vários homens façam parte desta rotina, segundo a mãe da proprietária. Entre as situações mais engraçadas que já presenciou na livraria, ela recorda o dia em que apareceu um homem pedindo autorização para entrar e conhecer o local. ‘‘Ele me perguntou se aqui funcionava o Clube da Luluzinha.’’

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