Lista de palavras proibidas era o teste do mestre
Virar redator da Folha não era simples - como naturalmente não é hoje. Mas, naquele tempo, para começar, Nilson Rímoli tinha uma cartilha. A gente chegava e recebia a informação sobre as palavras proibidas que não podiam ser usadas, de maneira nenhuma, na Redação: quando, sendo, tendo, por, seu, sua, seus, suas. Estas as que me lembro. E lanço o desafio: tente o caro leitor fazer uma redação, escrever uma notícia, fazer um título de notícia sem usar alguma delas! A gente fazia uma ginástica terrível para conseguir isto.
Sem perceber, eu ia aprendendo. O mestre era fantástico. E rígido. Quando o texto da gente chegava a ele, era estraçalhado. Depois de passar pelo crivo do Nilson, era reescrevê-lo, mandá-lo de volta, receber de novo com mais correções. Um aprendizado duro. Mas, sem dúvida, dava bases sólidas a todos nós.
Embora não sendo um trabalho burocrático, trabalhar na Folha de Londrina era uma atividade dura, com horários diferentes mas complicados. A gente começava às 2 da tarde, com colunas principalmente, ia até às 6, depois voltava às 8 da noite e saía quando fosse possível. O Nilson, então, nem saía. Chegava pelas 2, ficava até fechar. Ele fechava o jornal. Saía de madrugada, porque depois de tudo ainda ia à oficina, observar e conferir e mudar o trabalho.
Quanto a nós, podíamos nos dar por satisfeitos quando conseguíamos sair antes das 2 da manhã. Não poucas vezes, fiquei até mais tarde. Quando Jânio Quadrados renunciou, em 1961, cheguei em casa às 6 da manhã. Quando mataram John Kennedy nos Estados Unidos, em 1963, cheguei mais ou menos no mesmo horário. (E.F.)





