Líquido precioso e desrespeitado
''Água pra reter, água pra rasar, água pra minha comida''. Do cancioneiro popular aos desafios para o novo milênio, a importância da água é central. Alguns teóricos garantem que esse recurso será mais disputado do que o petróleo é atualmente. Contraditoriamente, esse precioso líquido vem sendo tratado com desdém e ameaça ficar escasso em um futuro bem próximo.
Segundo a coordenadora de vigilância em saúde ambiental da prefeitura de Curitiba, Lúcia Isabel de Araújo, a Sanepar - companhia responsável pelo abastecimento - tem que ir cada vez mais longe do cenário urbano para coletar água nos rios da região. ''Daqui a pouco vai estar coletanto em São Paulo'', ironiza. Isso se deve ao alto grau de poluição que existe próximo às grandes cidades.
Outro problema é a contaminação de lençóis profundos, que ficam entre as rochas a mais de 100 metros de profundidade. Os lençóis mais rasos, a cerca de 20 metros, já perderam sua potabilidade há muito tempo devido às emissões irregulares de poluentes, lixo e esgotos que penetram na terra.
''O homem está dando um tiro no pé ao contaminar a água que ele mesmo consome'', afirma Lúcia, que vislumbra um futuro difícil para as próximas gerações. Uma vez contaminado um lençol, sua descontaminação é quase impossível, afirma a coordenadora. (A.A.)





