‘‘Eu trabalhando duro na roça e minha mulher inventou de fazer calcinha e sutiã para vender e reforçar a renda mensal da família. No começo fui contra porque achei que era mais despesa sem retorno. Quando vi que ela não estava vencendo tantas encomendas, mudei de ramo’’. Em poucas palavras, o ex-agricultor e atual micro-empresário Wilson Diogo Luís explica como conseguiu se adaptar ao segmento de vendas de lingeries, completamente diferente do plantio.
Ele admite que no princípio foi ‘‘turrão’’ e quase perdeu a oportunidade de melhorar de vida. Depois, passou a contratar ‘‘sacoleiras’’. Luís também chegou a oferecer as peças em Londrina. Hoje, coordena pessoalmente o setor de vendas da empresa.
Das 25 peças diárias que a esposa Lúcia de Fátima Ribeiro Luís confeccionava sozinha, a produção saltou para 25 mil peças por mês, em média. Hoje, Luís tem uma fábrica de peças íntimas com 10 funcionários, em Ubaúna, distrito de São João do Ivaí e planeja ampliar o negócio.
As lingeries são comercializadas em São Paulo, Minas Gerais e até no Paraguai. A esposa diz que ‘‘chorou muito’’ antes de convencer o marido. ‘‘Comprei uma máquina doméstica, em 1994, através de um projeto desses de ajuda à micro-empresa. Gastei R$ 30,00 com a primeira compra de tecidos e aviamentos e tive pouco apoio do meu marido. Hoje temos 10 máquinas industriais e quero ampliar o negócio’’, comemora. Familiares do casal aderiram à confecção de peças íntimas e deixaram o campo.
Luís está consciente da necessidade de reduzir custos e aprimorar a linha de produção. Mas lamenta a falta de assistência técnica na cidade e diz que precisa recorrer a Maringá, quando estraga algum equipamento. ‘‘Perco tempo e tenho gastos com deslocamento, às vezes chego a ir duas vezes na semana para resolver o mesmo problema’’, ressalta.
Mas as dificuldades também são sinal de pioneirismo. Assim como a esposa de Luís, outras mulheres resolveram aderir à confecção de lingeries e os maridos foram convencidos constatando o retorno financeiro proporcionado pelo novo negócio. Atualmente estão em funcionamento 15 empresas de lingerie no distrito de Ubaúna e outras 10 em São João do Ivaí.
Quatro foram fundadas nos últimos cinco meses. O setor é responsável pela segunda arrecadação do município, com R$ 5 milhões/ano. Só perde para a pecuária, tradicional na região. As 25 empresas geram 150 empregos diretos e estão estimulando a implantação de atividades especializadas na cidade, como a manutenção de máquinas de costura profissionais e outros equipamentos.

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