A identidade de um povo se forma com a cultura, e isso inclui hábitos, festejos e também a língua. O escritor premiado e professor de letras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná de Apucarana, Oscar Nakasato, explica que não há povo sem idioma e lembra que é por meio dele que as pessoas expressam o que são, o que sentem e se identificam em relação à sua nacionalidade. "A língua é muito importante para qualquer pessoa se inserir numa outra cultura, por isso o povo japonês teve tanta dificuldade para se adaptar ao Brasil", destaca. Além da diferença física entre os orientais e os outros povos que vieram para cá no início, havia a barreira da língua a ser transposta. "Meus avós vieram crianças para o Brasil, viveram 60 anos aqui antes de falecerem e quando morreram falavam o mínimo da língua portuguesa por conta dessa dificuldade", lembra Nakasato.
Mesmo muitos anos depois da colonização, a língua japonesa ganha destaque no ocidente por conta das diferentes características que apresenta em relação às línguas de origem romana, como o português, espanhol, italiano, francês e outros. O professor comenta que o interesse dos jovens ocidentais pelos mangás acaba sendo um caminho de acesso para a língua japonesa, e ele considera positiva essa mistura cultural.
Uma das particularidades da língua japonesa que encanta os ocidentais é a escrita – considerada também um dos motivos pelos quais muitas pessoas que não têm familiares de origem oriental buscam aprender o idioma. De acordo com o professor, são três as possíveis formas de escrita. "O Kanji são os ideogramas, é como se você desenhasse aquilo a que a palavra se refere, é a representação do que se diz", explica. Ele acrescenta que há um número muito grande de ideogramas e conhecer vários deles é fundamental para se comunicar nesta linguagem.
Outro tipo de linguagem é o Hiragana, que é formado por 48 elementos e pode ser usado para complementar a escrita em Kanji. "Tudo o que eu escrevo em Kanji eu posso escrever em Hiragana. Essa escrita não é como o português em que cada símbolo representa uma letra, aqui as grafias representam sílabas", ensina Nakasato. Além desses dois tipos de linguagem, há um terceiro tipo usado especialmente para representar palavras de origem estrangeira e nomes próprios. "No Japão, como em vários outros países, muitas palavras de origem inglesa foram incorporadas, nesses casos usamos o Katakana", aponta.
Filho de pais brasileiros que foram criados dentro dos costumes japoneses, ele afirma que acabou perdendo um pouco do contato com a cultura do país de origem da família quando começou a frequentar a escola. "Eu não gostava muito de ser japonês na fase da adolescência, mas agora eu sei o quanto foi importante ter a influência de duas culturas, isso só acrescentou na minha formação pessoal. Sou nipo-brasileiro e isso trouxe muitas vantagens como por exemplo a de poder transitar nessas duas culturas", afirma.

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