Limites
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de outubro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Você já reparou que algumas das melhores respostas para nossas questões mais complexas surgem quando a gente menos espera? E que, normalmente, ficamos com aquela cara de bobos pensando: Como não cheguei a essa conclusão antes?
Num domingo desses, aceitei fazer um programa de índio, indo ao parque para um piquenique, acompanhada por duas vizinhas e três crianças os filhos dela e o meu. Encontramos um lugarzinho com sombra, esticamos no gramado a toalha vermelha xadrez, e começamos a espalhar as garrafas com suco e os potinhos com biscoitos, salgadinhos, docinhos e tudo mais.
Os dois meninos e a única menina do grupo com idades entre seis e dez anos estavam correndo ao redor daquela cena quase bucólica quando uma das mulheres pediu para que eles fossem correr noutro lugar, afinal, nós queríamos arrumar tudo em paz.
Foi então que o Guto, o mais velho dos três, indagou: Mas até onde podemos ir? Qual o nosso limite? Depois de segundos de hesitação, a mãe do menino resolveu tomar a palavra. Vocês podem ir a qualquer lugar, desde que não se machu-quem, disse ela, demonstrando segurança. E os três saíram satisfeitos, pulando e correndo em direção ao parquinho. A gente vai ter cuidado, mãe, garantiu meu filho.
Fiquei pensando sobre o argumento usado pela amiga. Nosso limite é a segurança? É o que estamos sempre buscando, não é mesmo? Uma vida sem riscos ou, no máximo, com riscos calculados (eu já me arrisquei a descer um morro com rapel, mas acompanhada por um instrutor experiente).
Mas, até que ponto estamos respeitando os verdadeiros limites? Queremos segurança e uma vida tranqüila, porém, procuramos fazer mil tarefas ao mesmo tempo, ganhar mais dinheiro, arranjar novas contas para pagar. Até que, neste turbilhão, a gente se perde e, de repente, ocorre com você o que parecia só acontecer com os outros: você simplesmente adoece. E, agora por necessidade, será obrigado a andar mais devagar, eleger outras prioridades, ver o futuro com outros olhos. E respeitar os próprios limites.


