Você já reparou que algumas das melhores respostas para nossas questões mais complexas surgem quando a gente menos espera? E que, normalmente, ficamos com aquela cara de bobos pensando: ‘‘Como não cheguei a essa conclusão antes?’’
  Num domingo desses, aceitei fazer um ‘‘programa de índio’’, indo ao parque para um piquenique, acompanhada por duas vizinhas e três crianças – os filhos dela e o meu. Encontramos um lugarzinho com sombra, esticamos no gramado a toalha vermelha xadrez, e começamos a espalhar as garrafas com suco e os potinhos com biscoitos, salgadinhos, docinhos e tudo mais.
  Os dois meninos e a única menina do grupo – com idades entre seis e dez anos – estavam correndo ao redor daquela cena quase bucólica quando uma das mulheres pediu para que eles fossem correr noutro lugar, afinal, nós queríamos arrumar tudo em paz.
  Foi então que o Guto, o mais velho dos três, indagou: ‘‘Mas até onde podemos ir? Qual o nosso limite?’’ Depois de segundos de hesitação, a mãe do menino resolveu tomar a palavra. ‘‘Vocês podem ir a qualquer lugar, desde que não se machu-quem’’, disse ela, demonstrando segurança. E os três saíram satisfeitos, pulando e correndo em direção ao parquinho. ‘‘A gente vai ter cuidado, mãe’’, garantiu meu filho.
  Fiquei pensando sobre o argumento usado pela amiga. Nosso limite é a segurança? É o que estamos sempre buscando, não é mesmo? Uma vida sem riscos ou, no máximo, com riscos calculados (eu já me arrisquei a descer um morro com rapel, mas acompanhada por um instrutor experiente).
  Mas, até que ponto estamos respeitando os ‘‘verdadeiros’’ limites? Queremos segurança e uma vida tranqüila, porém, procuramos fazer mil tarefas ao mesmo tempo, ganhar mais dinheiro, arranjar novas contas para pagar. Até que, neste turbilhão, a gente se perde e, de repente, ocorre com você o que parecia só acontecer com os outros: você simplesmente adoece. E, agora por necessidade, será obrigado a andar mais devagar, eleger outras prioridades, ver o futuro com outros olhos. E respeitar os próprios limites.

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