Ligeirinhos dos ares
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Fabiano Camargo 
DivulgaçãoGanhar tempo é o principal trunfo do taxi aéreo: é possível estar decolando meia hora depois de se contatar a empresaBasta um telefonema e em no máximo meia hora você está no ar, voando rumo ao seu destino, que pode estar no interior do estado, do outro lado do país ou até mesmo além das nossas fronteiras. Esta agilidade é o principal trunfo das empresas de taxi aéreo, um segmento que vem crescendo na cidade. Para este ano, uma empresa estuda até a instalação de uma linha regular, usando helicópteros, que ligaria pontos estratégicos de Curitiba com vôos pré-marcados - seria uma espécie de ligeirinho dos ares.
Utilizados principalmente por executivos e empresários - o que se explica pelo preço das bandeiradas não se enquadrar a qualquer orçamento - o taxi aéreo é um segmento que poderia se expandir muito mais. Esta é a opinião de José Rodrigues, proprietário da Jet Sul, maior empresa do ramo no estado. Os benefícios são pouco divulgados no Brasil e não existe um hábito de usar este tipo de serviço, que não é tão caro como se pensa, resume. Na Jet Sul, por exemplo, um vôo Curitiba-São Paulo-Curitiba num avião turbo-hélice para nove passageiros custa R$ 143,00 por pessoa, desde que a aeronave esteja lotada.
Kraw PenasAltamente manobráveis e ágeis, os helicópteros são empregados para diversos serviços de taxi aéreo
Além da agilidade nas viagens - a maioria das empresas funciona 24 horas por dia e os aviões levam no máximo meiA hora para decolar após feita a solicitação de serviço -, Rodrigues lembra que outra vantagem é o atendimento personalizado. O executivo viaja, participa de uma reunião e assim que ela terminar pode embarcar e voltar, pois a aeronave fica esperando, completa o diretor da Jet Sul, que emprega 14 pilotos e possui seis aviões, incluindo três jatos e três turbo-hélices.
No caso da utilização de helicópteros, que tem um poder de alcance menor (ver matéria ao lado), mas levam vantagem no curto período necessário para a decolagem, existe um outro diferencial. É possível ganhar tempo na locomoção dentro da cidade. De olho nessa possibilidade, a Yapó Taxi Aéreo, que tem uma frota de três helicópteros, planeja para este ano a instalação de uma linha que ligaria pontos importantes de Curitiba.
A idéia é fazer uma linha executiva que sairia do Aeroporto Affonso Pena, passaria pelo heliporto do Shopping Itália (no centro) e de lá iria até a Cidade Industrial de Curitiba e São José dos Pinhais. Seriam de dois a quatro vôos diários, revela André Franco, diretor comercial da Yapó. Ainda não está definida a tarifa que a linha cobraria. Atualmente, uma hora de vôo nas aeronaves da empresa custa R$ 850,00, sendo que o período mínimo é de meia-hora.
Para os executivos que utilizam os serviços de taxi aéreo, eles são praticamente indispensáveis. Tempo é dinheiro, sintetiza o diretor comercial da Korean Veículos, Jorge Marques, 37 anos. A agilidade de poder viajar, fazer uma reunião e voltar no mesmo dia é mais do que útil. Nas linhas comerciais, já cansei de ficar em fila de espera ou ter que aguardar para embarcar e, quando o avião estava em cima de Curitiba, não poder pousar por falta de teto. Segundo ele, que pega o taxi aéreo até duas vezes por mês, com destino a São Paulo e Foz do Iguaçu, as linhas tradicionais só são acionadas quando tiver que permanecer mais de dois dias no seu destino.
O empresário Flávio Moreira, 55 anos, conta que venceu um velho medo de aviões pequenos motivado pela rapidez que os taxis aéreos proporcionam. Ele viaja para São Paulo e Rio de Janeiro pelo menos três vezes por mês. As boas empresas do ramo oferecem a mesma segurança e um atendimento tão bom como as linhas aéreas comerciais. Hoje, encaro como se fosse um taxi normal, só que com a diferença que tem asas. Faço meus horários e assim não perco tempo.


