LIGEIRASSSSSS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Este pequeno texto é uma declaração de amor deslavada para a minha sobrinha. A baixinha tem apenas três anos e meio e desperta em mim as mais diversas emoções.
Quando ela chega no apartamento onde moro é aquela correria. Tiro a pequena mesa da sala (é de vidro e ela pode se machucar), recolho alguns objetos pontiagudos e outros que poderiam causar algum acidente. Em seguida, pego alguns brinquedos que estão guardados na minha casa justamente para ela se divertir. Esses bichos de pelúcia seguram a atenção da pequena por aproximadamente três minutos. Durante um quarto de hora se distrai fazendo desenhos. O resto do tempo o tio tem que se virar.
Pego lençol para fazer cabana, brinco de esconde-esconde e teatro, conto histórias, danço e canto, tudo para manter a cabecinha da pequena ocupada. Entre uma brincadeira e outra ela solta cada frase que até paro pra pensar se aquele ser realmente tem apenas três anos e meio. Um dia Isabella estava em cima de um equipamento de exercícios físicos e falei para ela descer, pois poderia cair. Após pedir duas vezes insisti com um tom de voz mais alto. A resposta? ''Desço sim, majestade''.
Ela não se conforma por minha mãe não saber dirigir, e muito menos do tio não possuir carro. A mascote da família chega a me jogar na cara isso. A pequena também não se conforma em saber que o avô não dorme ao lado da namorada. E não adianta explicarmos que o motivo é o ronco. ''Mas vovô, a minha mãe dorme com o meu pai. Se você não dormir junto com a sua mulher ela não vai mais gostar de você''.
Quando minha irmã liga dizendo que a Isabella está com saudades do tio, largo o compromisso que tenho e espero a mocinha em casa, já pensando nas brincadeiras que iremos fazer. E não adianta ficar só na pintura ou assistindo desenho. A espoleta quer correr, pular, gritar, enfim, mexer todos os músculos do corpo, que é pequeno, mas já tomou conta de todos os espaços do meu coração.


