Fazia três anos que eu não descia a Serra do Mar para ir a Morretes. Da última vez, fiz o passeio de trem. Aproveitei o ritmo descompromissado da locomotiva para conferir os detalhes da deslumbrante paisagem. Do principal atrativo de Morretes, o barreado, não como nehuma lasquinha, por motivo de dieta mesmo. Sou vegetariana. Fui para fazer reportagem para o jornal. Sem muita opção para comer, dei mais atenção a cidadezinha histórica.
No domigo antes do feriado de Tiradentes, desci novamente a serra com destino a Morretes. Acompanhando a família do meu marido, que lambia os beiços só de pensar em degustar o barreado. Para mim valia o passeio. Fazia um dia lindo e ensolarado. Tudo perfeito até a gente chegar no centro de Morretes. A dificuldade em estacionar, já era um sinal do que teríamos pela frente.
Tinha tanta gente naquele centrinho, que acredite, as pessoas se batiam umas nas outras. Tinha gente em todo canto, debaixo da sombra e debaixo do sol. Batemos na porta de seis restaurantes e o tempo de espera era de assustar, para quem já estava morrendo de fome. No primeiro, a fila tinha 400 pessoas. Do outro lado da rua, só 200. Voltamos para o outro lado da ponte. O tempo de espera era de uma hora e meia.
O restaurante que encontramos o menor tempo de espera para comer o barreado era de uma hora e quinze minutos. A cena era desalentadora - para quem queria comer, porque certamente, os restaurantes faturaram uma grana. Para onde olhasse, o que se via eram famílias sentadas no meio-fio, fritando debaixo do sol para não perder a vez de fazer a refeição.
Já passava das 14 horas. Demos meia volta e fomos embora. Amargamos a frustação de viajar até Morretes e não comer o típico barreado. Desta vez, nem senti cheiro de banana nem de farofa. Mas a decisão nos trouxe alívio. Então fica um aviso. Programe-se antes de viajar a Morretes em feriados. Mesmo sem comer nada, o barreado foi indigesto.

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