Eu sou careca. Meus cabelos começaram a cair quando tinha 25 anos. Em três anos, a parte frontal da calvície já havia tomado minhas preocupações. Até os 25, eu dizia ao meu melhor amigo, esse já sem cabelos há alguns anos: "Não vou tolerar a carequice". Pensava eu: "Implante solucionará meus problemas". Então, os fios foram caindo. Pelo jeito, odiavam minha cabeça. Caíram bem rápido.
As mexas que estavam atrás e no meio da cabeça eram empurradas para frente, em um subterfúgio ilusório. Apenas eu acreditava no sucesso da tática. Um sereno noturno ou um pouco de suor em uma noite quente já desmontava toda minha estratégia. Bonés. Esses são os inimigos dos carecas. Eles (os bonés) se fazem de amigos.
Me ajudaram durante um tempo, esconderam meu desespero, mas tive a impressão que sufocaram ainda mais os poucos fiapos, últimos inquilinos da minha cabeça. A relutância em aceitar um fato inevitável continuou. Dermatologista, remédio contra queda, Finasteride, Minoxidil.
Nenhum deles ajudou. Ou melhor. Ajudou. Adiou um pouco o que já era esperado. Enquanto isso, meu melhor amigo se dava muito bem com a mulherada (segundo ele). Bom, eu também não me dava tão mal, mas ele era careca. Eu ainda tinha cabelo.
Meu medo podia ser superado. Ele superou e dizia: "Não é um bicho de sete cabeças. Elas gostam". Bom, fosse um bicho de sete cabeças, seriam sete carecas.
Assim como eu e meu amigo, Kelly Slater, apontado como o Pelé do surf, é careca. Seu irmão mais novo raspou a cabeça para ajudá-lo a superar a perda dos cabelos. Ele é o Kelly Slater, muitos dirão. Mas já era careca quando flertou com Gisele Bundchen. Bruce Willis, o tenista Andre Agassi, quase todos os jogadores norteamericanos da NBA são carecas.
Todos eles me ajudaram a fazer o que devia ter feito antes. Raspei todo cabelo. Sou careca. Nunca foi o fim do mundo. Nunca será. Desculpe. Obrigado. Hoje, não gasto com corte de cabelo. Só gasto mais com barbeador e lâminas de fazer barba. E cabelo.

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